Suspeita de Conluio entre Médicos
Wellington, um empresário, foi detido após utilizar o CRM de um médico associado a uma clínica de São Paulo e, assim, realizar exames de ultrassom em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A fraude veio à tona quando o suspeito afirmou ter visualizado a vesícula de uma paciente que, na verdade, não possui esse órgão. A mulher, identificando o erro, denunciou o caso ao diretor de Saúde do município, que imediatamente acionou as autoridades policiais.
A Polícia Civil está ouvindo depoimentos de diversos pacientes, mas ainda há mais pessoas a serem ouvidas, incluindo o médico verdadeiro, que não teve seu nome revelado. Informalmente, Wellington alegou que receberia R$ 2 mil pela prestação de serviços de saúde, levantando suspeitas sobre um possível acordo com o médico verdadeiro.
Investigação Avança Sobre o Caso
De acordo com as investigações, há indícios de que o médico legítimo teria enviado Wellington para atuar em seu lugar em Cananéia. Embora ainda não tenha sido indiciado, o verdadeiro médico é considerado um investigado no caso. O empresário, por sua vez, enfrenta acusações de exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica, já que se apresentava como outra pessoa e realizava laudos médicos com a identidade falsa. Após uma audiência de custódia, sua prisão em flagrante foi convertida em preventiva.
O advogado Celino Barbosa de Souza Netto, que defende Wellington, informou ao g1 que pretende recorrer da decisão que manteve a prisão do cliente, buscando demonstrar sua inocência durante o processo. Para a defesa, é fundamental esclarecer todos os pontos e apresentar provas que corroboram a versão do suspeito.
Nota da Prefeitura e Providências Tomadas
Em nota, a Prefeitura de Cananéia confirmou que Wellington atuou na UBS por apenas um dia. Segundo a administração municipal, o médico verdadeiro foi devidamente contratado pela empresa responsável pela gestão do sistema de saúde local, apresentando a documentação exigida, incluindo um CRM válido. “No entanto, a pessoa que se apresentou para prestar o serviço foi alguém diferente, utilizando documentos falsos que foram entregues a servidores municipais e à autoridade policial”, explicou a administração municipal.
A Prefeitura ressaltou que tomou conhecimento da fraude e já adotou todas as medidas necessárias. Embora a ultrassonografia seja um exame considerado não invasivo e de baixo risco, sua realização por indivíduos sem a devida habilitação é uma séria violação tanto ética quanto jurídica.
Além disso, a administração municipal informou que todos os pacientes que foram atendidos na terça-feira (6) estão sendo convocados para repetir os exames na próxima terça-feira, dia 13 de janeiro, a fim de garantir a precisão e a segurança dos diagnósticos realizados.


