Um Encontro Tradicional aos Domingos
Desde as primeiras horas da manhã de domingo, a Rua Tereza Lopes, nas proximidades do Ginásio de Esportes, se enche de cores e aromas com as barracas da feira livre da Vila Hortência. Entre caixas de frutas frescas, legumes colhidos na hora e o irresistível cheiro de pastel frito, a feira não é apenas um ponto de compras, mas se consolidou como um programa fixo para muitas famílias da região, além de ser uma importante fonte de renda para os feirantes locais.
“Vou levar um maço de brócolis, agora que está começando”, comenta uma moradora enquanto examina a variedade de produtos disponíveis. A dinâmica se repete em cada banca: clientes perguntam sobre os preços, solicitam dicas de preparo e aproveitam para colocar a conversa em dia, criando um ambiente animado e acolhedor.
Mário Cataoca, um dos feirantes que mantém a tradição, compartilha sua experiência após oito anos trabalhando na feira. Natural de São Paulo, ele se mudou em busca de melhores oportunidades. “Aqui é bem melhor”, resume, destacando que a renda da sua família depende exclusivamente das vendas que realiza ali. “É tudo da feira,” enfatiza.
Histórias de Vida e Empreendedorismo
Benedito do Nascimento, que está na Vila Hortência há dois anos, traz uma história similar. Ele também veio da capital paulista e destaca a força da feira aos domingos, onde parte de seus produtos é cultivada em sua própria horta. “A gente vai produzindo um pouco, vendendo as coisas, e assim vai indo”, explica, evidenciando a conexão entre produtores e consumidores, que se torna ainda mais forte em feiras livres.
Cleiton Magalhães, com uma trajetória de mais de duas décadas nesse ramo, considera a feira da Vila Hortência um ponto estratégico. “É uma das melhores feiras da semana. É o dia que realmente traz o ganha-pão para casa”, relata ele, que acredita que o domingo é o dia de maior movimento, essencial para o sustento da sua família. “Hoje eu não me vejo fazendo outra coisa. Eu gosto de trabalhar na feira,” diz com entusiasmo.
Uma Tradição Familiar
No meio dos corredores improvisados, o cenário é de vida e alegria. Casais empurrando carrinhos de feira, avós acompanhados dos netos e pais ensinando os filhos a escolher as frutas são comuns. Para muitas famílias, a ida à feira já se tornou uma tradição.
Juliana Ramos, auxiliar administrativa que reside no bairro há mais de dez anos, relata que a visita à feira faz parte de sua rotina dominical. “A gente vem quase todo domingo. Não é só para comprar, é para passear mesmo. Encontramos vizinhos, tomamos um caldo de cana, e as crianças escolhem a fruta da semana,” conta, revelando a importância desse espaço na vida social do bairro.
O aposentado Carlos Menezes também preserva esse hábito. “Prefiro comprar aqui do que em mercado. É mais fresco e a gente conhece quem está vendendo. Isso faz diferença,” afirma. Para ele, a feira é um dos poucos lugares onde é possível ter conversas tranquilas e cultivar amizades. “Você cria amizade,” destaca.
Fomento à Economia Local e Alimentação Saudável
Além de proporcionar um espaço social, a feira da Vila Hortência desempenha um papel crucial no acesso a alimentos frescos e, muitas vezes, mais acessíveis. Os produtos que circulam ali, provenientes de hortas familiares e pequenos produtores, promovem uma ligação direta entre quem planta e quem consome, fortalecendo a economia local.
Esse contato direto é um fator importante para a fidelização dos clientes. Os moradores confiam na procedência dos alimentos que adquirem. “Você sabe de onde vem,” resume Juliana, reforçando a relação de confiança que se estabelece nesse ambiente. Assim, a feira não apenas alimenta, mas também nutre laços e economias locais, reafirmando sua importância na vida da comunidade.


