Feira Livre: Um Patrimônio Cultural de Itapetininga
Ninguém precisa de lembrete em Itapetininga (SP) sobre o compromisso das quintas-feiras e domingos: os moradores acordam cedo para visitar a famosa feira livre. Este evento, que oferece uma variedade de produtos frescos como hortifrutis, além do tradicional pastel e caldo de cana, se transforma em um verdadeiro ponto de reencontro entre amigos e parentes.
Com 98 anos de história, a feira livre de Itapetininga é muito mais do que um local de comércio; ela representa uma forte tradição que une histórias e pessoas. Fundada em 1928, a feira se localiza na Avenida Peixoto Gomide, no coração da cidade. Conforme informações da prefeitura, são mais de 5 mil visitantes aos domingos, gerando um significativo movimento econômico.
Tradição e Desenvolvimento Econômico
Atualmente, a estrutura da feira conta com cerca de 200 feirantes, que não apenas vendem seus produtos, mas também contribuem para a economia regional. Feirantes de municípios vizinhos, como São Miguel Arcanjo, Tatuí e Capela do Alto, fazem parte desse ecossistema comercial vibrante. Segundo a prefeitura, a feira é uma das maiores e mais tradicionais do interior paulista, sendo considerada um patrimônio cultural.
O evento é um espaço importante onde saberes familiares são transmitidos, refletindo a força do trabalho dos pequenos agricultores. “A feira é uma alavanca comercial que tem um impacto significativo na economia local”, destaca a prefeitura.
Os visitantes podem encontrar uma diversidade de produtos, que vão de frutas e verduras a animais. A feira oferece um importante espaço de venda para agricultores familiares que não precisam se deslocar para longe, criando um circuito produtivo local.
Histórias de Vida entre os Barracas
Um dos feirantes mais antigos da feira é Kenzo Kato, que aos 81 anos, carrega uma história de 50 anos de atividade. Desde março de 1976, Kenzo vende ovos em seu ponto, sempre no mesmo local, em frente a uma loja de defumados. Ele começou sua trajetória como entregador em uma granja, e logo depois, decidiu se dedicar à venda de ovos.
“Se você não gosta do que faz, não aguenta. Em 50 anos, nunca tirei férias. O convívio na feira me encanta”, afirma Kenzo, que diariamente se levanta às 5h30 para preparar sua barraca ao lado do filho. Para ele, o segredo é sempre esperar pelo cliente, valorizando o atendimento como um pilar essencial. “Queria que as pessoas da feira pensassem no atendimento com o cliente, porque isso é fundamental”, destaca.
Websérie: Documentando a Tradição
A feira livre de Itapetininga também se tornou tema de uma websérie, produzida por Lucas Diniz Pererê, de 40 anos. A série, com oito episódios, busca valorizar este patrimônio cultural. Lucas, que nasceu em Itapetininga, conheceu a feira através de professores peruanos que ficaram impressionados com a vivacidade do evento.
“A feira é o evento mais característico da nossa região. Ela promove uma relação social que não se vê em outros lugares, onde as pessoas apenas compram e saem”, observa Lucas. O documentário, que levou cerca de um ano para ser finalizado, revela o cotidiano de agricultores familiares, artesãos e artistas que encontram na feira um espaço de diversidade e identidade cultural.
Com mais de 30 protagonistas entrevistados, a série ganhou destaque nas redes sociais, tocando o coração da comunidade. “O retorno foi surpreendente, as pessoas se sentiram valorizadas por ver suas histórias contadas”, conclui Lucas.
Em resumo, a feira livre de Itapetininga é um local que não apenas movimenta a economia local, mas também fortalece laços sociais, mantendo viva uma tradição que há quase um século faz parte da vida dos itapetininganos.


