Fontes de Renda do PCC: Do Tráfico a Negócios Legítimos
O Primeiro Comando da Capital (PCC) tem demonstrado uma impressionante capacidade de diversificação em suas fontes de renda, segundo investigações recentes. Autoridades de São Paulo rastrearam os fluxos financeiros da facção em negócios que vão de pequenas empresas a grandes corporações, revelando indícios de infiltração do crime organizado em empreendimentos que prestam serviços ao poder público. As operações se estendem até lojas de franquia e atividades ilegais na Amazônia, assim como em localidades do interior paulista que muitas vezes passam despercebidas.
Importante ressaltar que, em várias investigações, os dados sugerem que a contaminação financeira ocorre, em muitos casos, por meio da lavagem de dinheiro, onde as empresas são utilizadas exclusivamente para ocultar a origem ilícita dos lucros. Contudo, nos últimos anos, surgiu uma nova dinâmica: integrantes da facção estão empregando recursos oriundos do tráfico de drogas e outros crimes em negócios legítimos. Promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP) indicam que essa mudança de estratégia é evidente, especialmente em relação a empresas de transporte público e usinas sucroalcooleiras, como demonstrado na Operação Carbono Oculto, que revelou a influência do PCC em todas as fases da produção de combustíveis no Brasil.
De acordo com Lincoln Gakiya, promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP, é estimado que a facção gere um faturamento de pelo menos R$ 10 bilhões anualmente, o que evidencia a dimensão de seu poder econômico e sua capacidade de operar em diferentes setores.
Tráfico de Drogas: A Base do Poder Financeiro
O PCC se consolidou ao longo da última década como uma das maiores organizações de tráfico de drogas na América do Sul. Investigações revelam que a facção mantém contatos diretos com líderes de cartel na Colômbia e no Peru, permitindo que realizem compras diretamente dos produtores. A droga, em seguida, é distribuída em países da Europa e da África, ampliando ainda mais o alcance da facção.
Desde 2016, após o homicídio do traficante Jorge Rafaat Toumani em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, o PCC conseguiu dominar uma rota estratégica de tráfico que atravessa Mato Grosso do Sul e o interior paulista, facilitando seu acesso ao mercado global. Esse movimento se intensificou, levando a facção a expandir suas operações internacionais e, consequentemente, seus lucros.
Ademais, a facção também participa da rota do Solimões, onde atua com grupos locais para o transporte de cocaína. Informações da Polícia Militar do Amazonas indicam que tanto o PCC quanto o Comando Vermelho (CV) e cartéis estrangeiros contratam serviços de transporte para movimentar cargas significativas de drogas.
Jogos de Azar e Golpes Virtuais: Novas Frentes de Atuação
A contravenção, especialmente por meio de jogos de azar, tem se mostrado uma fonte significativa de receita para o PCC. A Operação Spare, que revelou conexões com a Carbono Oculto, começou após a descoberta de máquinas de pagamento em casas de apostas clandestinas em Santos. Além disso, a Operação Falso Mercúrio levantou suspeitas sobre operações de caça-níqueis que financiavam uma loja de automóveis, levando ao bloqueio de mais de R$ 6 bilhões em ativos.
Os golpes virtuais também entraram na lista das atividades da facção, com inquéritos da Polícia Federal e polícias civis indicando que fraudes financeiras realizadas por telefone e internet estão ligadas ao PCC. Uma operação em dezembro de 2023 resultou na prisão de 24 indivíduos envolvidos nesse tipo de crime, sublinhando a adaptabilidade da facção em um cenário tecnológico em evolução.
Transporte Público e Contratos Públicos: Infiltração Direta
As operações do PCC não se limitam a atividades ilegais; a facção também se infiltrou nas licitações de transporte público em São Paulo. Três de seus supostos líderes estavam associados à empresa UPBus, que foi alvo da Operação Fim da Linha em 2024. Essa infiltração foi realizada de maneira astuta, com a criação de empresas de fachada e uma rede de advogados especializados em concessões públicas, permitindo que o PCC vencesse licitações sem seguir os métodos tradicionais da criminalidade.
Além disso, em 2025, uma condenação relevante foi imposta a Vagner Borges Dias, conhecido como Latrell Brito, que liderou um esquema de fraudes em licitações. As investigações revelaram que ele e outros membros da facção usavam empresas fictícias para manipular os resultados de concorrências e obter contratos superfaturados.
Combustíveis e Lojas de Conveniência: Uma Rede Complexa
Na mesma linha, a Operação Carbono Oculto destacou a infiltração do PCC na cadeia de combustíveis, onde controlam desde a estrutura portuária até o refino e distribuição, incluindo lojas de conveniência. A força-tarefa identificou irregularidades em uma rede de 200 estabelecimentos, com práticas como a adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro. Essa complexidade revela não só a capacidade da facção em se integrar a setores legais, mas também a sua determinação em maximizar lucros a qualquer custo.


