Suspensão dos Depoimentos
A Polícia Federal decidiu cancelar três dos quatro depoimentos programados para esta terça-feira (27) no inquérito que investiga fraudes no Banco Master. A medida foi adotada após as defesas dos investigados informarem que optariam por permanecer em silêncio, uma vez que não tiveram acesso aos autos do processo.
Assim, dos oito depoimentos que estavam agendados entre segunda e terça-feira, apenas dois foram realizados. O inquérito investiga crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, todos relacionados à venda de carteiras de crédito supostamente inexistentes do Banco Master ao BRB (Banco Regional de Brasília).
De acordo com a Polícia Federal, os depoimentos que foram mantidos são considerados cruciais para esclarecer as suspeitas de irregularidades em torno da tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, com potencial para influenciar o direcionamento do inquérito.
Próximos Passos no Inquérito
Após a conclusão dos depoimentos, será decidido se o caso continuará a ser analisado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) ou se será devolvido à Justiça Federal e à Justiça de São Paulo. Os empresários André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto, convocados para o primeiro dia de depoimento, também conseguiram adiar suas oitivas.
O processo teve início sob a responsabilidade da Justiça Federal. Contudo, no final de 2025, o ministro Dias Toffoli transferiu a condução do caso para o STF, após surgir a evidência de um contrato imobiliário que envolve Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Este documento estaria registrado em nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), que possui foro por prerrogativa de função.
Operação Compliance Zero
A investigação, denominada Operação Compliance Zero pela Polícia Federal, foca em um esquema que teria criado títulos de crédito sem lastro real. Esses títulos são considerados fictícios e teriam sido utilizados para movimentar grandes valores entre as empresas do grupo Master e o BRB, supostamente gerando ativos que posteriormente foram comercializados como legítimos.


