Operação Copia e Cola e Seu Impacto na Política Local
A Operação Copia e Cola, realizada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) e pela Polícia Federal, revelou uma série de supostas irregularidades em contratos de gestão na saúde de Sorocaba, alterando o destino político do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), que se encontra afastado de seu cargo. A segunda fase da operação, ocorrida em 6 de novembro, resultou na suspensão do prefeito por seis meses, levando-o a buscar liminares para retornar ao comando do Executivo, sem sucesso até o momento.
Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instaurada em 13 de novembro, trazendo à luz novas informações sobre a operação, cujos detalhes estavam sob sigilo judicial. A Polícia Federal indicou a existência de indícios de corrupção ativa e passiva, além de delitos como peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. Nos primeiros encontros da CPI, foram definidos os documentos a serem solicitados e iniciadas as primeiras oitivas.
Desdobramentos Judiciais e Políticos
Em meados de dezembro, o TRF3 anunciou que o processo deixou de ser sigiloso. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também negou um quarto pedido da defesa de Manga para retomar o cargo. O recesso do Judiciário, que começou em 19 de dezembro e vai até 6 de janeiro, marcará o final de dois meses de afastamento do prefeito. Uma nova tentativa jurídica poderá ser feita após esse período. O recesso do Legislativo, iniciado em 15 de dezembro, suspendeu os trabalhos da CPI até 3 de fevereiro de 2026.
Especialistas consultados pelo Cruzeiro do Sul comentaram que o afastamento de Manga, determinado pela Justiça, tem caráter administrativo e processual, visando proteger a investigação, e não gera, por si só, a inelegibilidade do prefeito. Portanto, ele segue elegível para candidatar-se em 2026, desde que cumpra as exigências de desincompatibilização, que podem variar de três a seis meses, dependendo do cargo atualmente ocupado.
A Eleição de 2026 e o Cenário Eleitoral
Em 2026, o cenário eleitoral no Brasil será significativo, com São Paulo se destacando como o maior colégio eleitoral do país. Mais de 33 milhões de eleitores paulistas são esperados nas urnas. Em nível nacional, o total de eleitores aptos ultrapassa 156 milhões, com o primeiro turno programado para 4 de outubro e o segundo para 25 de outubro. As eleições deste ano permitem ao eleitor escolher entre deputados federais, estaduais, senadores, governadores e o presidente da República, totalizando seis escolhas.
No que tange à Câmara dos Deputados, compõem as cadeiras 513 representantes, e São Paulo conta com 94 vagas, preenchidas por meio do sistema proporcional. Os deputados estaduais com atuação em Sorocaba incluem Danilo Balas (PL), Vitão do Cachorrão (Republicanos) e Maria Lúcia Amary (PSDB), enquanto Edson Giriboni (União) de Itapetininga também mantém uma forte presença na região. Recentemente, Carlos Cezar (PL) deixou seu cargo para assumir uma posição no Tribunal de Contas do Estado, e o vereador sorocabano Roberto Freitas (PL) é cogitado como possível candidato à sua vaga.
Perspectivas para o Senado e Governos Estaduais
No cenário do Senado, 2026 verá a renovação de 54 das 81 cadeiras, em uma eleição majoritária. Embora Sorocaba nunca tenha tido um representante no Senado, Guilherme Derrite já manifestou interesse em concorrer a uma vaga. O quadro também inclui a eleição de 27 chapas para governo, uma por estado, onde a vitória em primeiro turno exige maioria absoluta dos votos válidos.
A situação de Rodrigo Manga é particularmente influenciada por estes desdobramentos, especialmente se o governador Tarcísio de Freitas decidir buscar a reeleição, o que poderia abrir espaço para uma nova disputa no Executivo estadual. Além disso, o prefeito afastado pode avaliar a possibilidade de concorrer à Câmara dos Deputados ou, em um cenário mais ambicioso, até ao Senado.
A Luta pelo Cargo de Presidente
Com a eleição presidencial seguindo as mesmas regras de maioria absoluta, Manga também tem falado, em suas redes sociais, sobre suas ambições políticas. Janeiro marca o início das articulações partidárias, e em março expira o prazo para filiação, enquanto abril é o mês final para renúncia de cargos para quem busca concorrer. Neste cenário, as movimentações políticas tendem a se intensificar, sinalizando um futuro incerto e cheio de possibilidades para o político sorocabano.


