Iniciativas para um Acolhimento Positivo
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) disponibilizou um novo material intitulado “Guia para o Acolhimento de Ingressantes”, que tem como objetivo fornecer orientações claras para as coordenações de cursos, comissões de recepção de calouros e outras instâncias responsáveis pela chegada dos novos alunos. Com o início do ano letivo marcado para o dia 23, após o Carnaval, a universidade busca garantir um ambiente acolhedor e livre de práticas abusivas.
O guia foi elaborado pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade), e se alinha às diretrizes da iniciativa “Unesp Sem Assédio”. O documento traz informações essenciais sobre prevenção ao trote, acolhimento de novos estudantes e orientações para situações de violência.
Um Olhar Crítico sobre o Trote
A criação deste material específico para o enfrentamento de práticas violentas ligadas ao trote é resultado de conversas realizadas em 2025, onde foram discutidas as experiências vividas por alunos no ambiente acadêmico. Além de auxiliar os novos ingressantes, o guia também visa engajar estudantes veteranos, promovendo um ambiente harmonioso e respeitoso.
Por meio do programa de mentoria acadêmica, a Prograd (Pró-Reitoria de Graduação) incentiva que alunos veteranos, sob supervisão docente, ajudem na recepção dos calouros, oferecendo informações e suporte que facilitam a adaptação ao novo ambiente universitário.
“Acreditamos que o acolhimento deve ser resultado da mentoria acadêmica que já promovemos, aliado a um compromisso com a saúde física e mental dos estudantes que ingressam na Universidade”, comenta Célia Maria Giacheti, pró-reitora de graduação.
Uma Mensagem de Boas-Vindas e Conscientização
A professora Ana Maria Klein, assessora da Proade e co-autora do guia, enfatiza a importância de um acolhimento estruturado, que respeite os princípios da instituição. “Queremos assegurar aos novos alunos que são bem-vindos, explicar os mecanismos de proteção e denúncia disponíveis, e esclarecer que algumas situações aparentemente inofensivas podem, na verdade, constituir formas de violência”, aponta.
Com isso, o guia sugere que as atividades de recepção sejam baseadas em princípios de integração, diálogo e respeito às diferenças, ultrapassando práticas historicamente ligadas ao trote, que são entendidas como manifestações de poder e violência simbólica.
Prevenção e Regulação
Os dados contidos no guia ressaltam que ações degradantes e coercitivas podem ter um impacto negativo na saúde mental dos estudantes, afetando seu desempenho acadêmico e sua permanência na universidade. O documento ainda compila normas que regulam o tema, como a Lei Estadual nº 10.454/2015 e a Resolução Unesp nº 86/1999, que estabelece procedimentos para o acolhimento e encaminhamento de denúncias.
A omissão em relação a práticas abusivas pode resultar em responsabilidade administrativa e civil, destacando assim a importância do papel das unidades universitárias na prevenção e no enfrentamento de tais casos. “Desnaturalizar a violência é essencial para lidarmos com esse problema. Relações não saudáveis não têm espaço na universidade”, afirma Ana Maria Klein.
Canais de Denúncia e Suporte
O guia também apresenta a Ouvidoria da Unesp como o canal formal para o registro de situações envolvendo violência, assédio ou discriminação, além de detalhar o serviço Acolhe Unesp, que oferece escuta especializada para casos de violação de direitos.
Com essas diretrizes, a Unesp reafirma seu compromisso com o acolhimento e o respeito, envolvendo toda a comunidade acadêmica. “A Unesp é feita por todos nós, e por isso é fundamental fomentar uma cultura de pertencimento. Cada membro da comunidade acadêmica deve atuar de forma coerente, pois a responsabilidade é coletiva”, finaliza Ana Maria Klein.


