O Futuro da Inteligência Artificial nas Empresas
Nos últimos dois anos, o debate em torno da inteligência artificial (IA) tem sido marcado por promessas e experimentações. No entanto, a partir de 2026, essa tecnologia deve se consolidar como um componente vital para os negócios, impactando diretamente a produtividade, a estrutura de custos e a tomada de decisões. O que antes era uma opção, agora se tornará uma exigência, levando as empresas a repensarem suas estratégias de operação.
O foco, portanto, não será mais se as empresas utilizarão IA, mas como integrar essa inovação em suas operações diárias. Perguntas como quais aplicações podem ser escalonadas e quais tendências devem ser observadas ganham destaque neste novo cenário. Para entender melhor essas mudanças, o site Startups consultou sete fundadores de diferentes setores, que compartilham suas perspectivas sobre o impacto da IA em seus respectivos mercados.
Perspectivas de Guilherme Junqueira, Fundador da Delta Academy
De acordo com Guilherme Junqueira, 2026 será o ano em que a IA se tornará parte integrante do P&L das empresas. Ele aponta que muitas organizações no Brasil ainda tratam a IA como um projeto de inovação, mas essa visão precisa mudar rapidamente. “A pressão por resultados vai forçar os CEOs a decidir se vão implementar IA por convicção, conveniência ou constrangimento”, afirma. Para ele, três movimentos serão cruciais para empresas se tornarem verdadeiramente orientadas por IA: a mudança na métrica de sucesso, a substituição de equipes inteiras por agentes de IA e a democratização da criação de software. Junqueira ressalta que o Brasil possui uma vasta base de dados e talento técnico para lidar com os desafios atuais, mas falta ambição.
Visão de Marcelo Lombardo, CEO da Omie
Marcelo Lombardo, por sua vez, acredita que a IA se tornará uma parte essencial da infraestrutura empresarial até 2026. Ele destaca que a tecnologia será cada vez mais empregada para automatizar processos e oferecer insights em tempo real, aumentando a eficiência e a competitividade das empresas. No contexto das pequenas e médias empresas, a IA pode simplificar a gestão e integrar setores como vendas e finanças. Lombardo também desafia o mito de que a IA substituirá pessoas, afirmando que, na prática, ela amplia a capacidade humana, liberando tempo para tarefas mais estratégicas.
Gustavo Debs e a Evolução da Inteligência Artificial
Para Gustavo Debs, cofundador da Neospace, a IA deixará de ser uma novidade e se tornará uma base fundamental nos negócios. Ele enfatiza que as empresas estarão cada vez mais focadas em soluções que compreendem melhor seus dados e processos. Debs também refuta a ideia de que a IA substitui indiscriminadamente as pessoas, destacando que o verdadeiro valor estará em aplicações práticas que aumentem a produtividade e melhorem a tomada de decisões.
Mariana Dias e a Transição Necessária
Mariana Dias, CEO da Gupy, vê 2026 como um marco importante em que a IA se tornará uma realidade operacional. Ela menciona dados que indicam que, embora 37% das vagas ainda mencionem a IA de forma vaga, essa confusão deve desaparecer à medida que as empresas se tornem mais claras sobre suas tecnologias. Com a crescente demanda por profissionais que combinam inteligência humana com competências em IA, a criatividade e a comunicação se destacam como habilidades ainda insubstituíveis pelas máquinas.
Debunking Mitos e Oportunidades no Setor de Pagamentos
Alex Vilhena, fundador da Malga, menciona transformações significativas esperadas no setor de pagamentos, como o uso de IA para otimizar a aprovação de transações. Segundo ele, a conexão entre consumidores e empresas pode se tornar mais eficiente com a utilização de agentes inteligentes. Ele também destaca que, apesar de a IA auxiliar, não resolverá todos os problemas de fraude, já que os fraudadores também utilizam essas tecnologias.
Desafios e Inovações no Setor de Saúde com Manoela Mitchell
Por fim, Manoela Mitchell, CEO da Pipo Saúde, observa que, em 2026, a personalização dos serviços deverá ser uma prioridade, destacando a importância dos dados exclusivos para a IA. Ela acredita que a verdadeira vantagem competitiva está em saber utilizar os dados adequadamente, uma capacidade que deve ser cada vez mais valorizada no mercado.


