Fortalecimento Cultural por Meio de Oficinas
No último sábado, 28, o Teatro e Centro de Convenções de Feira de Santana foi o palco da III Teia Estadual dos Pontos de Cultura da Bahia, um evento que visa fortalecer a política Cultura Viva no estado. Com o tema ‘Vozes e territórios pela implementação da Lei Cultura Viva Bahia e pela Justiça Climática’, a programação incluiu sete oficinas e diálogos formativos, reunindo representantes de mais de 100 municípios baianos.
A proposta das oficinas, segundo Thaís Pimenta, diretora da Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura (Sudecult), é oferecer ferramentas práticas para os agentes culturais atuarem nos seus territórios. As formações foram elaboradas de acordo com as demandas levantadas pelos próprios Pontos de Cultura, abrangendo diversos temas como gestão, bibliotecas comunitárias, memória, economia solidária e justiça climática. Isso cria um espaço propício para que todos saiam com conhecimentos relevantes para o desenvolvimento de suas atividades.
“Essas oficinas servem como espaços formativos dentro do processo de reestruturação da rede Cultura Viva. Queremos que os participantes saiam equipados com mais ferramentas e elementos para aprimorar suas ações em toda a Bahia”, disse Thaís.
Capacitação e Experiências Compartilhadas
Um dos destaques foi a oficina “Do coletivo ao CNPJ: formalização, gestão e captação de recursos para Pontos de Cultura”. A iniciativa foi vital para aqueles que buscam fortalecer a organização administrativa e a elaboração de projetos. Wilma Rodrigues, que representa o Grupo de Capoeira Lendário de Palmares, destacou a importância da capacitação. “O grupo é certificado, mas estou assumindo recentemente a coordenação pedagógica. Eu precisava entender melhor sobre a elaboração de projetos e a busca por documentação. O que aprendi aqui foi fundamental para ampliar minha visão sobre o tema”, contou.
Outra oficina, “Patrimonialização e Salvaguarda”, foi conduzida por Mestra Nzinga, representante da Associação Cultural Mestre Edmilton, em Conceição da Feira. Ela destacou a relevância de discutir estratégias de preservação das manifestações culturais locais. Com 40 anos dedicados à capoeira e com o título de Ponto de Cultura desde 2014, Mestra Nzinga enfatizou o impacto de seu trabalho em diversas faixas etárias e na comunidade rural.
“A salvaguarda já é parte do nosso trabalho. É essencial fortalecer as políticas culturais, especialmente agora, quando muitos mestres estão se despedindo. Precisamos de maneiras de preservar essa cultura. Percebi que, independentemente do tamanho da cidade, as dificuldades enfrentadas são semelhantes. Essa troca de experiências fortalece a Teia e nos dá ânimo para continuar nosso trabalho no município”, ela ressaltou.
Diálogos e Trocas de Conhecimento
A programação da III Teia também incluiu importantes diálogos, como “Filmes na Tela: uma conversa sobre exibição e difusão”, e oficinas como “Como organizar e dinamizar uma Biblioteca Comunitária”. Outras atividades focaram em temas como “Cultura Viva e Justiça Climática: Agroecologia e Economia Solidária nos Territórios” e “Cultura Viva Educa: métodos e práticas dos Pontos de Cultura na atuação com escolas”. Outro momento relevante foi a oficina sobre “Noções básicas de organização, preservação e difusão em espaços de memória”.
Essas atividades buscam não apenas capacitar, mas também criar um ambiente colaborativo onde os participantes possam compartilhar experiências e construir uma rede de apoio entre eles. Em um cenário onde as políticas culturais frequentemente enfrentam desafios, iniciativas como a III Teia Estadual dos Pontos de Cultura se mostram cruciais para a valorização e preservação das práticas culturais da Bahia.


