Iniciativa Promove Desenvolvimento Sustentável na Baía de Guanabara
A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados avançou com uma proposta inovadora, criando a Lei de Incentivo à Economia Azul na Baía de Guanabara. O objetivo central desse projeto de lei é fomentar o desenvolvimento sustentável, recuperar os ecossistemas degradados e impulsionar atividades econômicas na baía da capital fluminense.
O projeto contempla incentivos fiscais e a implementação de programas que apoiam diversas atividades, como a utilização de recursos marinhos para inovações em biotecnologia, turismo ecológico, geração de energia renovável e a reciclagem de resíduos. Essas ações visam não apenas revitalizar a área, mas também estabelecer um modelo econômico mais sustentável e responsável.
Uma das inovações previstas é a criação das Zonas de Desenvolvimento Azul (ZDAs), que serão organizadas por tipo de atividade, incluindo lazer sustentável, pesca, geração de energia eólica offshore e tratamento de esgoto. Essas zonas obedecerão às diretrizes do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), garantindo que o desenvolvimento ocorra de forma respeitosa com o meio ambiente.
Programas de Apoio à Biotecnologia Marinha
Outra medida significativa é a implementação do Programa Nacional de Incentivo à Biotecnologia Marinha e Engenharia Ambiental (PNIBMEA). Este programa terá como foco o suporte a startups e empresas inovadoras que busquem desenvolver tecnologias voltadas para a recuperação da Baía de Guanabara.
O financiamento das iniciativas será assegurado pelo Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA) e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), promovendo projetos que almejam preservar o meio ambiente e incentivar a inovação. As empresas terão a oportunidade de acessar créditos com condições favoráveis, além de recursos que não exigem devolução.
Benefícios Fiscais para Atividades Sustentáveis
A futura legislação também criará o Programa de Incentivo à Reciclagem e Remediação Ambiental (PIRBAG), que concede benefícios tributários às empresas envolvidas na remoção de poluentes. Entre os incentivos se encontram a isenção do IPI para equipamentos de filtragem e uma redução de até 50% no Imposto de Renda para empresas que investirem pelo menos 30% de seu faturamento em projetos de despoluição.
Além disso, o projeto propõe a criação de um sistema nacional destinado a monitorar a qualidade da água da Baía de Guanabara. Este sistema será gerido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), em colaboração com instituições científicas e órgãos estaduais. A tecnologia empregada incluirá sensores, drones, satélites e inteligência artificial, permitindo o acompanhamento em tempo real da poluição, contaminação e biodiversidade na região.
Transparência e Alinhamento com a Comunidade Científica
Os dados gerados sobre a recuperação ambiental estarão disponíveis em uma plataforma digital acessível ao público, promovendo transparência nas ações realizadas. O relator da proposta, deputado Ricardo Abrão (União-RJ), optou por um substitutivo ao Projeto de Lei 1000/25, apresentado pelo deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), com a intenção de conferir maior precisão e clareza legislativa ao texto, sem comprometer a força normativa das disposições originais.
O relator sublinhou que a proposta busca alinhar o setor produtivo e a comunidade científica no estímulo à inovação sustentável. “A previsão de utilização do FNDCT para apoiar a expansão de startups e empresas de base tecnológica que desenvolvem soluções para a despoluição está em sintonia com os princípios do fundo, criando condições propícias para o surgimento de um polo de inovação na região”, afirmou Abrão.
Próximos Passos para a Aprovação
A proposta ainda passará pela análise em caráter conclusivo das comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que se torne uma nova lei, o texto precisará ser aprovado tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado.


