A Grande Final e a Inclusão no Futebol
A final da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2026, a conhecida Copinha, realizada no último domingo (25), superou as expectativas ao promover um evento marcado pela inclusão e acessibilidade. O confronto que resultou em vitória do Cruzeiro sobre o São Paulo por 2 a 1, na Arena Mercado Livre Pacaembu, simbolizou um avanço significativo na forma como os torcedores com deficiência são acolhidos nos estádios. Essa mudança é fruto de uma parceria exemplar entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) e a Federação Paulista de Futebol (FPF).
No dia do aniversário da capital paulista, o estádio Pacaembu se transformou em um espaço de respeito e acolhimento, mostrando que a acessibilidade pode, de fato, mudar vidas e fortalecer o sentido de pertencimento entre os torcedores. O evento não só celebrou o futebol, mas também a diversidade e a inclusão, um passo essencial para que todos possam desfrutar do esporte.
Capacitação de Diretores para um Atendimento Acessível
A grande final da Copinha 2026 foi também a culminância de um torneio que se destacou por um diferencial importante: a capacitação de diretores de jogos para proporcionar um atendimento acolhedor e acessível ao público com deficiência. No final de novembro de 2025, a SEDPcD ofereceu um treinamento a 98 diretores de jogos da FPF, preparando-os para lidar com as necessidades específicas deste público nas arenas esportivas.
Esses profissionais, responsáveis pela organização e operação das partidas, receberam orientações sobre como assegurar que a experiência dos torcedores fosse respeitosa e ajustada às individualidades de cada um. Marcos da Costa, secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, declarou: “A final da Copinha representa a consolidação de um trabalho que iniciamos visando a criação de um padrão de acolhimento compatível com a grandeza do futebol paulista”.
Depoimentos que Refletem a Importância da Inclusão
Vinicius Pereira do Nascimento, um torcedor cego, assistiu à final acompanhado de seu cão-guia, Marley. Ele compartilhou sua rotina: “Eu vou sempre aos jogos do São Paulo, principalmente no Morumbi”, afirmando que acompanha as partidas por meio de transmissões de rádio e sente a energia vibrante da torcida. Para ele, estar presente nos jogos é fundamental.
Outro exemplo é João Vitor da Silva, de 21 anos, que possui Síndrome de Down e foi ao jogo com seu tio, Arnaldo Pereira de Oliveira. “Ele adora vir ao estádio e é muito inteligente, sabe tudo sobre o time”, disse Arnaldo, visivelmente emocionado ao ver o sobrinho vibrar a cada lance do seu time do coração.
Transformando a Cultura nos Estádios
A presença da Torcida Tricolor PCD, que visa promover a inclusão de torcedores com deficiência, foi um dos destaques da final. Juliana Manzano Rhein, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), ressaltou a importância da inclusão e do acolhimento: “A acessibilidade nos estádios e a aceitação das pessoas com deficiência lembram que somos todos humanos, com gostos e sonhos.”
Durante o treinamento oferecido pela SEDPcD, foram abordados aspectos essenciais sobre as principais deficiências e condições relacionadas, além de orientar como acolher diferentes perfis de público. Exemplos práticos, como o cuidado ao interagir com cadeiras de rodas, foram fundamentais na formação.
Um Futuro de Esperança e Inclusão
A parceria entre a SEDPcD e a FPF estabelece novos padrões de inclusão no futebol paulista, com a Copinha 2026 servindo como um modelo a ser seguido. A expectativa é que essa experiência inspire outras competições e contribua para uma verdadeira transformação na cultura de atendimento nos estádios brasileiros. Marcos da Costa deixou claro: “Muitos desafios ainda existem, mas nosso objetivo é garantir que todos se sintam em casa no estádio.”


