Investimentos Necessários para a Indústria Venezolana
Recentemente, o ex-presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, que atualmente lidera a consultoria Aurum Tank, trouxe a público um estudo que destaca o elevado montante de R$ 308 bilhões necessário para revitalizar a indústria de petróleo e gás da Venezuela. O relatório revela que a infraestrutura existente está desatualizada, tornando urgente uma injeção financeira massiva para sustentar a produção em dutos, poços e refinarias.
No contexto de uma reunião realizada na Casa Branca com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e líderes do setor energético, Coelho enfatizou a complexidade e os desafios que as empresas enfrentariam ao considerar investimentos na Venezuela. Trump, por sua vez, pressionou os executivos presentes, afirmando que, caso não estivessem interessados, haveria outras companhias prontas para assumir suas vagas.
Desafios do Setor Energético
A presença do chavismo no governo da Venezuela nos últimos anos complicou a situação do setor energético. As empresas americanas, listadas em bolsas, precisam prestar contas a seus acionistas e reavaliar seus investimentos, especialmente com o novo ano fiscal americano começando em abril. A ExxonMobil, representada por seu CEO, Darren Woods, expressou ceticismo sobre a viabilidade de investimentos no país sem reformas aprofundadas.
Enquanto a ExxonMobil se afastou da Venezuela em 2006, a Chevron permaneceu e, recentemente, forneceu informações ao governo dos Estados Unidos sobre a situação do setor em meio à crise política que envolve o presidente Nicolás Maduro. A recuperação da indústria petrolífera não será uma tarefa fácil, conforme advertiu Woods.
A Realidade das Reservas Venezuelanas
Apesar das vastas reservas de petróleo, particularmente na Faixa do Orinoco, a produção atual da Venezuela é extremamente reduzida devido a uma combinação de perda de autonomia da PDVSA, forte carga tributária, sanções internacionais e limitações de capital e tecnologia. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que a Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com cerca de 303,8 bilhões de barris, correspondendo a aproximadamente 17,5% do total global. No entanto, a produção é apenas uma fração desse potencial.
Em relação ao gás natural, as reservas da Venezuela representam cerca de 73% do total na América do Sul, totalizando aproximadamente 195 trilhões de pés cúbicos. No entanto, a incapacidade de utilizar economicamente esse gás fez com que a Venezuela fosse um dos maiores países em termos de queima de gás natural. A infraestrutura envelhecida também afeta o setor de refino, que opera a apenas 10% de sua capacidade nominal.
Investimentos e Parcerias
Para modernizar a infraestrutura, estima-se que cerca de US$ 8 bilhões seriam necessários apenas para atualizar os oleodutos, muitos dos quais têm mais de 50 anos. A dependência crescente da Venezuela da China, que absorve mais da metade de sua produção de petróleo, resultou em enormes descontos nas exportações, complicando ainda mais a situação financeira do país.
O panorama apresentado por Coelho na consultoria Aurum Tank ilustra os enormes desafios que os investidores enfrentariam na Venezuela, mesmo que a PDVSA seja reestruturada. A crise política e econômica, que culminou na subutilização das reservas de gás natural e a redução da produção de petróleo, ainda persiste.
Expectativas Futuras
A expectativa de Trump de que a crise poderá ser resolvida rapidamente e que a Venezuela poderá recuperar sua posição no cenário global de petróleo é considerada otimista. Um estudo da ANP ressalta que, apesar de ter as maiores reservas, a Venezuela produz apenas 1% da oferta global, refletindo as dificuldades enfrentadas pelo setor.
Embora a promessa de investimentos americanas possa trazer esperanças, especialistas acreditam que a instabilidade interna e a demanda global fraca deverão tornar o cenário de novos investimentos um desafio no curto prazo.


