Diminuição da Inflação e Impacto Político
No terceiro Natal do seu terceiro mandato, o presidente Lula recebeu uma notícia animadora do IBGE: o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) registrou apenas 0,25% em dezembro, encerrando o ano com uma alta total de 4,41%, dentro da meta de inflação estabelecida, que tem como limite 4,5%. Essa informação é particularmente positiva para qualquer governante, especialmente em tempos de desafios econômicos.
O fechamento do ano com uma inflação moderada reflete um desempenho favorável nas regiões metropolitanas de grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, e Recife, abrangendo famílias com rendimentos de até 40 salários mínimos. Isso pode ser considerado um alívio diante das expectativas de crescimento econômico e controle de preços.
Alimentos em Queda e Seu Efeito
Um dos destaques da coleta de preços foi o grupo de Alimentação e Bebidas, que fechou com uma alta de apenas 3,57%. Essa diminuição indica um aumento no volume de compras das famílias, ajudando a reduzir os preços de produtos essenciais. O setor de alimentação é crucial no cálculo do índice, já que compreende itens como tomate, leite, arroz, carnes e frutas, que tiveram suas médias de preços diminuídas pelo sétimo mês consecutivo.
Por exemplo, a alimentação no domicílio apresentou uma leve queda de -0,08%, o que contribui para a percepção de estabilidade nos preços dos alimentos. Mesmo a alimentação fora do domicílio, que registrou um aumento de 0,65% em dezembro, não teve um impacto negativo considerável no índice geral, ajudando a suavizar queixas frequentes dos consumidores.
Percepções e Reclamações dos Consumidores
Embora tenha havido um alívio nas queixas relacionadas aos preços nos supermercados, algumas categorias ainda enfrentam alta, como a carne bovina, que aumentou em média 2,09% nas capitais pesquisadas. Contudo, a situação é menos preocupante se considerarmos que o preço do frango e dos ovos subiu 6%, mostrando uma migração do consumo de carnes mais caras para opções mais acessíveis.
Isso tem um efeito direto nas percepções dos consumidores em relação ao governo, especialmente no que diz respeito aos combustíveis, que pelo IPCA-15 subiram 2,56%. Apesar de um aumento, a ausência de reclamações nos meios de comunicação tem minimizado a pressão sobre o governo, refletindo uma estratégia de comunicação bem-sucedida.
Expectativas para o Futuro
A expectativa do governo é que a queda da inflação permita uma maior liberdade para gastar, potencialmente ampliando os investimentos públicos. Entretanto, o mercado permanece cético, uma vez que a inflação em declínio ainda não garante a redução das taxas de juros, que permanecem em 15% desde junho. O Copom, em sua última ata, expressou a necessidade de cautela, alertando que as expectativas de inflação continuam acima da meta.
O Brasil, mesmo com redução de desemprego e inflação, enfrenta desafios para criar condições que permitam ao Banco Central reavaliar suas políticas de juros. A manutenção da taxa de juros por um período prolongado parece ser a estratégia a longo prazo, a menos que o governo demonstre um controle mais rigoroso sobre seus gastos.
Impacto nas Eleições e Oportunidades no Setor Energético
Os números positivos em relação à inflação e aos combustíveis oferecem ao governo Lula uma oportunidade de promover sua agenda de bem-estar social, especialmente com as eleições se aproximando em 2026. Essa situação pode ser aproveitada para fortalecer sua posição política e atrair apoio popular.
Outro fator que merece destaque é a expansão do setor de energia solar, que está projetando um crescimento significativo com a introdução de novos leilões e investimentos em soluções de armazenamento de energia, promovendo um cenário de super oferta.
Assim, com a economia mostrando sinais de recuperação e a inflação sob controle, a administração Lula pode se preparar para um Natal mais otimista e um futuro promissor, tanto em termos políticos quanto econômicos.


