Desafios e Investimentos na Margem Equatorial
A Petrobras confirmou recentemente o vazamento de fluido durante as operações de perfuração na Foz do Amazonas, o que levou o Ibama a multar a empresa em R$ 2,5 milhões. O incidente, ocorrido em 4 de janeiro, envolveu materiais biodegradáveis, conforme a estatal, mas o órgão ambiental destacou que eram produtos utilizados na exploração. A diretora da Petrobras, Sylvia, enfatizou que a companhia já investiu R$ 1,4 bilhão na região desde a aquisição do bloco, enfrentando desafios como o tempo em que sondas permaneceram paradas. Atualmente, a estatal aguarda a licença para explorar novos poços, essencial para sua campanha na região.
A Petrobras tem se mostrado comprometida em avaliar o potencial brasileiro, como destacou Sylvia em entrevista. “Nenhuma outra empresa fez esse tipo de avaliação com tanta profundidade”, afirmou. O petróleo, segundo a diretora, é o principal produto nas exportações do Brasil, e a empresa se depara com a crescente pressão para restringir sua exploração.
Com a necessidade de reposição das reservas e poucas novas áreas disponíveis, a Petrobras está também observando oportunidades no exterior, particularmente em águas profundas na África. Quando questionada sobre a situação na Venezuela, Sylvia revelou que as perspectivas de mudança são limitadas no curto prazo devido à necessidade de recuperação da infraestrutura do país. “Ainda há um passivo ambiental significativo a considerar”, alertou.
Visão da Petrobras sobre o Vazamento
Sobre o vazamento na Margem Equatorial, a diretora explicou que ele ocorreu devido a uma falha em uma das 124 conexões das tubulações utilizadas na perfuração. A Petrobras investiu consideravelmente para garantir que o fluido fosse biodegradável, e assegurou que, em casos semelhantes em outras regiões, a resposta à emergência seria mais rápida. “A Margem Equatorial está sob intenso escrutínio, e um incidente em outra área poderia ter sido tratado de maneira diferente”, disse.
A operação já foi retomada, embora a previsão para atingir a profundidade de 7 mil metros tenha sido adiada em um mês. “Quando descobrimos o pré-sal, enfrentamos dificuldades técnicas que prolongaram a perfuração, e aqui não é diferente, dada a notoriedade do poço”, explicou Sylvia.
Custos e Sustentabilidade na Exploração
O custo das operações também foi tema de preocupação. O valor para o uso de plataformas aumentou mais de 80%, com investimentos atuais superando US$ 3,8 milhões. A diretora comentou que a viabilidade de projetos está atrelada ao preço do petróleo, que deve se manter acima de US$ 50 para garantir a rentabilidade. “Conseguimos operar até com preços inferiores, mas isso compromete nosso lucro”, acrescentou.
Em relação ao contexto da Venezuela, embora o país tenha um potencial significativo, a Petrobras precisa garantir certa estabilidade antes de investir. “A situação é delicada e, com um passivo ambiental considerável, precisamos agir com cautela”, destacou Sylvia.
Olhando para o Futuro
Sylvia também abordou a questão do licenciamento ambiental que a Petrobras enfrenta no Brasil, apontando que o país precisa decidir seu rumo em relação à exploração de petróleo. “O acordo de Paris fala em reduzir emissões, mas não em parar a exploração de petróleo. Já reduzimos mais de 40% das emissões”, afirmou, ressaltando que as operações no Brasil não deveriam ser restringidas.
O pedido de licença para três poços foi feito, mas até o momento apenas um foi aprovado. A Petrobras está buscando avançar nesse processo, mesmo diante de desafios regulatórios. “É fundamental que possamos realizar a exploração em múltiplos poços, e não apenas em um único”, concluiu.


