Desafios na Educação de Crianças Superdotadas
A mãe de Gabriel Francisco Novaes, um menino de apenas três anos com QI de 132, relata as dificuldades que tem enfrentado na procura por uma escola adequada em Tapiraí, interior de São Paulo. Após ser aceito na Mensa International, conhecida como a sociedade mais respeitada para superdotados, especialistas recomendaram que Gabriel fosse matriculado em uma instituição que oferecesse suporte educacional diferenciado. Atualmente, ele estuda em uma creche comum, onde não encontra o estímulo necessário para seu desenvolvimento.
Kelidy Novaes, a mãe, expressa sua preocupação ao notar que o processo de matrícula está com previsão apenas para 2027 e não avança como esperava. “Estamos tentando reorganizar a vida familiar para 2026. Não consigo mudar para Sorocaba devido ao meu trabalho, e minha filha está prestes a concluir o ensino fundamental I. Assim, Gabriel continuará no mesmo lugar no próximo ano”, comenta a mãe.
Apesar de seu esforço, Kelidy ainda não obteve retorno positivo das escolas contatadas. Ela mencionou que a mensalidade das instituições que podem oferecer o suporte necessário gira em torno de R$ 2 mil, sem que as propostas de bolsa de estudo tenham sido bem-sucedidas. “Conversei com algumas escolas, mas a maioria demonstrou desinteresse. Uma delas foi mais simpática, mas, devido à falta de tempo, não conseguimos nos encontrar”, lamenta.
Reconhecimento e Desenvolvimento Acelerado
Gabriel foi diagnosticado com superdotação após diversas avaliações. Kelidy, que é professora, sempre incentivou a aprendizagem dele, mas ficou impressionada ao notar seu avanço precoce. “Quando ele tinha um ano, imprimi o alfabeto para colar na parede. Para minha surpresa, ele já estava falando as letras em português e inglês. A pronúncia do número nove, por exemplo, ele aprendeu em inglês primeiro”, recorda.
O aprendizado de Gabriel não é limitado apenas aos idiomas. Sua mãe narra que ele é capaz de realizar operações matemáticas simples e que possui uma curiosidade insaciável. Segundo o neuropsicólogo responsável pela avaliação, Gabriel apresenta uma lógica rara para sua idade e adora resolver desafios. “É fascinante conversar com ele, pois seu entendimento é além do esperado para uma criança de três anos”, destaca Kelidy.
Atualmente, Gabriel possui um desenvolvimento cognitivo equivalente ao de uma criança de seis anos e se expressa em um vocabulário formal. “Ele não apenas se comunica bem, como também gosta de se considerar interessante. Muitas vezes, sinto que preciso manter uma certa disciplina”, observa Kelidy.
A Importância do Equilíbrio na Infância
Apesar das habilidades excepcionais, Kelidy enfatiza a importância de manter Gabriel conectado a atividades típicas da infância. “Nosso maior receio é que ele se torne uma criança que só tenha interesse por temas complexos”, revela. Para equilibrar, ela garante que ele participe de brincadeiras comuns como futebol e interações sociais. “Ele adora brincar de pega-pega e se considera um torcedor fervoroso do Corinthians”, acrescenta.
Gabriel também tem uma irmã de nove anos, e a mãe assegura que as atividades em família são cruciais para que ele possa se conectar com sua juventude. “Ele não se preocupa com críticas externas, mas é bastante crítico consigo mesmo, o que pode ser um desafio”, comenta.
Buscando Escolaridade Adequada
Kelidy menciona que, embora já suspeitasse das habilidades superiores de Gabriel desde pequeno, foi a avaliação com profissionais que confirmou suas suspeitas sobre a superdotação. “Fui ao psicólogo após ouvir várias pessoas comentarem sobre o que ele poderia fazer. A confirmação veio rapidamente, e o laudo apontou um QI de 132, um dos mais altos na clínica”, relata.
Com o laudo em mãos, a mãe começou a busca por escolas voltadas para crianças superdotadas. Infelizmente, as tentativas de contato com instituições convencionais não foram bem-sucedidas. “A orientação do neuropediatra foi clara: precisamos encontrar uma escola adequada”, finaliza Kelidy.
Gabriel, que já se familiarizou com sete idiomas, é um exemplo de como crianças superdotadas podem surpreender. Sua história é uma lição sobre a importância de uma educação adaptada às necessidades individuais. A busca por um ambiente escolar que respeite suas habilidades é um desafio que Kelidy enfrenta com determinação e amor.


