Uma Luta Diária por Moradia
Débora Sousa, uma mulher de 40 anos, vive com seus cinco filhos em uma casa alugada no bairro Habiteto, Sorocaba. A expectativa de conquistar um lar definitivo se transforma em uma necessidade urgente para a família, que sonha com a realização de uma “casinha”. Esta reportagem faz parte de uma série especial do g1 Sorocaba e Jundiaí, que aborda a Campanha da Fraternidade 2026, focando no direito à moradia e nos desafios enfrentados por famílias que buscam habitação digna no Brasil.
Para Débora, a moradia é mais do que um mero sonho. Antes de imaginar as cores para as paredes do novo lar, ela lida diariamente com a realidade da insegurança no aluguel. A mulher relembra um episódio marcante de 2019, que expõe o desespero que enfrentou ao receber uma ordem de despejo. “A ordem veio uma semana antes deles virem aqui. Nesse dia foi um desespero, as meninas ainda eram muito pequenas. A mais velha sempre se lembra: ‘lembra mãe, de quando mandaram a gente sair da casa?’”, conta.
Com a certeza de que o tempo das cobranças de aluguel é implacável, Débora reflete sobre a rapidez com que a situação pode mudar. “Eles não têm dó. Pra tirar é rápido. Mas aquela casa estava abandonada durante anos. Quando eu entrei, o dono apareceu. Desde então, estou na fila do CDHU há cerca de sete anos”, desabafa.
Condições de Vida e Esperança
Atualmente, a casa alugada proporciona uma segurança maior do que as residências anteriores. Débora destaca que, ao menos, a atual moradia possui encanamento, fiação elétrica e um piso decente no banheiro. “As outras eram muito desconfortáveis e pequenas. Sempre chovia dentro”, recorda a mãe, que anseia por um futuro melhor.
Com um desejo ardente por melhoria de vida, ela questiona: “Por que demora tanto para eles lembrarem da gente? A gente se esforça para pagar o aluguel e luta pelo que deveria ser nosso.” Essas palavras refletem a frustração de muitas famílias que, assim como a de Débora, esperam por soluções habitacionais em um cenário desafiador.
Apoio Comunitário e Superação
Quando a ordem de despejo a atingiu, foi a solidariedade de outras mulheres que deu a Débora um novo fôlego. Além da ajuda financeira temporária, ela recebeu suporte para formação profissional na Pastoral do Menor, uma entidade que atua em prol da assistência social. Segundo Maria Aparecida Ferreira, assistente social da Pastoral, o movimento de doações conseguiu impedir que Débora e suas filhas ficassem sem teto. “Fizemos um esforço conjunto e conseguimos evitar que a Débora ficasse na rua com suas filhas”, explica Maria, destacando o apoio contínuo que a família recebeu.
Débora agora trabalha como diarista e mantém viva a gratidão por aqueles que estiveram ao seu lado em momentos de vulnerabilidade. As crianças, por sua vez, participam das ações sociais da Pastoral, vislumbrando um futuro onde irão viver em sua casa própria.
A Importância da Pastoral do Menor
A Pastoral do Menor tem atuado nas periferias de Sorocaba desde 2002, quando foi criado o primeiro Centro Educacional Comunitário (CEC) no bairro Parque Esmeralda. Atualmente, em parceria com a Associação Bom Pastor, a Pastoral conta com nove centros educacionais na cidade, atendendo mais de mil crianças e suas famílias. As atividades desenvolvidas nos CECs desempenham um papel crucial em socialização, lazer, cidadania e apoio escolar.
Com o objetivo de proporcionar um ambiente seguro e acolhedor, a Pastoral do Menor continua a desempenhar um papel fundamental na vida de muitas famílias, incluindo a de Débora, que ainda nutre a esperança de um dia conquistar o tão sonhado lar.


