José Eder Lisboa e sua trajetória até a morte
A morte do adestrador de cães José Eder Lisboa, foragido após condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por atos golpistas, foi confirmada pela Associação dos Familiares e Vítimas (ASFAV) no início de janeiro. Segundo a publicação nas redes sociais da entidade, Lisboa estava na Argentina, longe de sua família e do Brasil, quando adoeceu. Ele passou vários dias internado em um hospital, mas não resistiu e faleceu.
A advogada Carolina Siebra, que representa a ASFAV e Lisboa, confirmou a notícia ao g1 no último sábado (28). Natural de São Carlos, José Eder Lisboa ganhou notoriedade após ser preso durante a invasão terrorista em Brasília.
Doença e internação em hospital argentino
Conforme informações fornecidas pela advogada, Lisboa apresentou um problema de saúde no final do ano passado. Inicialmente, a condição foi diagnosticada como botulismo, uma doença neurológica causada por uma toxina. Entretanto, os exames subsequentes revelaram que ele sofria da Síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que ataca os nervos periféricos, levando a fraqueza muscular rápida, formigamento e, em casos severos, paralisia.
Apesar de ter iniciado a recuperação, a situação de saúde de José se agravou e ele acabou falecendo. Os familiares do adestrador manifestaram a intenção de trazer seu corpo de volta ao Brasil, onde ele será velado.
Até o fechamento desta reportagem, o g1 tentou contato com o Itamaraty, mas ainda não obteve resposta sobre o ocorrido.
Condenação e crime
Lisboa foi condenado em um julgamento virtual que se iniciou em 14 de junho e foi finalizado em 21 de junho de 2024. Ele foi considerado culpado por uma série de crimes que incluem abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada.
Além da pena de detenção, que foi de um ano e seis meses, Lisboa também foi condenado a pagar 100 dias-multa, totalizando aproximadamente R$ 43,4 mil. Adicionalmente, ele deverá arcar com uma indenização de danos morais coletivos no valor de R$ 30 milhões, a qual deverá ser dividida entre os demais condenados.
Durante seu interrogatório, Lisboa alegou que havia entrado no Palácio do Planalto para se proteger de supostas bombas, sem ter feito arrombamento ou participado de vandalismo. Ele se tornou réu em maio de 2023, teve sua prisão revogada em agosto, e estava em liberdade com várias restrições.
Outros condenados e contexto dos atos golpistas
Vale destacar que Lisboa foi o último morador de sua região a ser condenado pelo STF. Outros dois condenados, Edson Carlos Campanha e Moisés dos Anjos, ambos de Leme (SP), já haviam enfrentado o tribunal. Campanha, um corretor de imóveis, recebeu uma pena de 17 anos de prisão e tinha em seu celular fotos e vídeos dos atos de vandalismo em Brasília. O marceneiro Moisés dos Anjos também foi condenado a 17 anos de prisão.
Os ataques à democracia brasileira, ocorridos em janeiro do ano passado, marcaram um episódio sem precedentes na história do país. Os envolvidos, muitos dos quais se identificaram nas redes sociais, vandalizaram o patrimônio público, invadiram gabinetes e destruíram documentos. No total, 2.151 pessoas foram presas durante as invasões.


