Investigações Revelam um Labirinto de Ilícitos
Na movimentada rua da Escola Medha em Bowenpally, Telangana, a rotina da escola parece absolutamente normal. Com o movimento constante de riquixás e pais atentos a segurança dos filhos, nada sugere que por trás da fachada da escola, um negócio ilícito estava florescendo. Durante quase nove meses, partes deste edifício foram utilizadas para a produção de alprazolam, uma substância psicotrópica que alimenta um ciclo vicioso de dependência em várias regiões. A realidade desse esquema criminal veio à tona no dia 13 de setembro do ano passado, quando a elite do Grupo de Ação de Elite para a Aplicação da Lei sobre Drogas (EAGLE) de Telangana fez uma operação que desmantelou um laboratório clandestino de drogas dentro da escola.
A polícia apreendeu 3,4 kg de alprazolam já processado, 4,3 kg de material em estágio de produção e uma quantia significativa de ₹ 21 lakh em dinheiro, que os investigadores acreditam ser o lucro obtido em apenas dois dias de vendas. O principal suspeito, Malela Jaya Prakash Goud, de 39 anos, que também era o diretor da Escola Medha, foi identificado como o responsável pela operação, que se beneficiava da credibilidade da instituição de ensino para operar sem levantar suspeitas.
Goud havia compartilhado o prédio de forma extremamente calculada; o porão abrigava salas de aula onde alunos se dedicavam aos estudos, enquanto o andar térreo contava com um banco, o que reforçava a aparência de normalidade. Contudo, a parte de trás do edifício era dedicada exclusivamente à fabricação de drogas, com o segundo andar permanecendo inacessível. Segundo um policial, “O laboratório de drogas estava escondido onde as crianças não podiam ver.” Essa estratégia de se misturar ao ambiente escolar não só funcionou, mas também permitiu que a operação prosperasse em um espaço onde a confiança era uma constante.
Reações da Comunidade e Impacto da Descoberta
Os moradores e comerciantes da região estão perplexos com as revelações. Um comerciante de artigos escolares, que observa a movimentação do bairro há mais de dez anos, expressou sua incredulidade. “Caixas eram vistas entrando e saindo, mas o que poderia parecer suspeito em uma escola? Era tudo muito rotineiro”, explicou, admitindo que o ambiente parecia normal demais para esconder algo tão maligno.
Um pai, que pediu para não ser identificado, manifestou sua preocupação ao dizer: “Quando deixamos nossos filhos na escola, confiamos que tudo está dentro dos padrões. Nunca pensamos que produtos químicos e drogas pudessem estar dentro daquela estrutura.” As preocupações sobre segurança e o que realmente acontece dentro das instituições de ensino foram alarmadas.
A investigação revelou que Goud não tinha formação acadêmica relevante para administrar uma escola, tendo sido, anteriormente, proprietário de um comércio de bebidas. Ele obteve a fórmula de produção do alprazolam por meio de contatos obscuros, e a polícia investiga uma rede complexa de fornecedores e cúmplices, totalizando 35 suspeitos até o momento, com sete já detidos. À medida que o inquérito avança, outros envolvidos estão sendo identificados, e os oficiais da EAGLE se opõem a pedidos de fiança, alegando a gravidade das acusações.
O Crescimento do Tráfico de Drogas em Telangana
De acordo com o diretor da EAGLE de Telangana, Sandeep Shandilya, o órgão está enfrentando um aumento considerável nas operações de combate ao tráfico de drogas. Até o final de novembro do ano passado, foram registrados 2.542 casos ligados à Lei de Narcóticos, envolvendo mais de 8.000 suspeitos e apreensões de substâncias avaliadas em aproximadamente ₹ 172,93 milhões. Essa situação revela que o tráfico não se limita a indivíduos isolados, mas envolve redes organizadas que operam em várias frentes.
Além da escola, a polícia de Telangana fez outra descoberta significativa em Cherlapalli, onde o tráfico de drogas é realizado em áreas industriais. A operação em um laboratório identificado como Vagdevi Laboratories resultou na apreensão de materiais químicos e substâncias ilícitas em grande escala. Com o avanço das investigações, autoridades descobriram que as redes de distribuição estão se adaptando rapidamente, aproveitando-se de locais aparentemente legítimos para operar suas atividades ilícitas.
Um oficial que acompanha de perto o caso destacou que a dificuldade em detectar tais operações se deve ao fato de que tudo aparenta ser normal. “Quando se opera em meio a estruturas legítimas, a desconfiança se dissipa e o comércio ilícito se torna mais difícil de ser rastreado. É uma fachada que precisa ser desmascarada, mas, muitas vezes, o dano já está feito e as consequências se espalham além dos locais de criações”, concluiu.


