A Relação Conturbada Entre Joesley e Maduro
Por Cláudio Humberto | 6 de janeiro de 2026
Após insinuar uma suposta proximidade com a Casa Branca, os irmãos Joesley e Wesley Batista estão prestes a enfrentar sérias repercussões dos Estados Unidos, devido aos seus negócios na Venezuela. Essas transações podem ter contribuído para a continuidade da administração autoritária de Nicolás Maduro, que agora se encontra preso. A notícia de que a parceria comercial com o governo venezuelano, mediada pela gestão petista, foi mantida em sigilo por Lula (PT) causou perplexidade em círculos próximos ao governo Trump.
Esse clima de nervosismo se intensifica, principalmente porque a oposição acredita que a inquietação de Lula não se deve apenas a questões ideológicas, mas também à prisão de um de seus aliados mais próximos, Maduro.
O Fluxo de Dinheiro para o PT
Além dos negócios controversos, voltou à tona a relação financeira que liga Joesley a Maduro, que inclui doações consideradas ilícitas para a campanha presidencial do PT. Em um depoimento de fevereiro de 2016, a publicitária Mônica Moura revelou detalhes sobre como recebia grandes quantias de dinheiro diretamente das mãos de Maduro, descrevendo o procedimento como a entrega de “malas de dinheiro, várias” que ocorriam quase semanalmente.
Essas revelações levantam questões sobre a origem dos recursos financeiros que sustentaram a campanha de Lula, colocando em cheque a legitimidade dos investimentos feitos pelo petista durante seu governo.
Investimentos Controversos na ONU
Enquanto Lula administrava o país, ele também direcionou uma quantia significativa dos recursos públicos para a Organização das Nações Unidas (ONU). Nos últimos três anos de sua presidência, o Brasil desembolsou mais de US$170,3 milhões, o que, ao ser convertido, ultrapassa os R$925,6 milhões. Essa quantia levanta preocupações sobre a aplicação do dinheiro público e a eficácia das iniciativas da ONU.
Somente em 2025, o governo do PT doou US$48 milhões (cerca de R$260,9 milhões), enquanto em 2024, os brasileiros viram um investimento de mais de US$63,4 milhões, ou seja, mais de R$344,6 milhões. Tais cifras fazem parte de um padrão que muitos cidadãos consideram excessivo, especialmente em tempos de crise econômica.
A Reação do Setor Político
Em meio a toda essa turbulência política, já existem pedidos de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB) em Pernambuco, devido a manobras questionáveis na nomeação de procuradores. A oposição, representada por políticos como o vereador Eduardo Moura (Novo), alega que houve irregularidades no processo.
Além disso, o ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, criticou o atual titular da pasta, Alexandre Padilha, por prometer cuidar dos refugiados venezuelanos sem prestar a devida atenção aos brasileiros que enfrentam longas filas em busca de atendimento.
As Implicações para o Futuro
O clima de incerteza se agrava, especialmente com a próxima audiência do ex-ditador venezuelano marcada para 17 de março. Embora a queda de Maduro seja celebrada por alguns, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), muitos pedem que o foco não seja desviado das questões internas que afligem o Brasil, como o escândalo do Banco Master.
Recentemente, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) expressou sua indignação sobre a atuação do TCU, que, segundo ele, não possui atribuições de regulador do sistema bancário. Jordy argumenta que a criação de uma CPMI para investigar o Banco Master é vital.
O Cenário Nacional e a Resposta da Oposição
A oposição mantém a expectativa de que a blindagem governista em relação a aliados na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS não passará impune. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirma que o desgaste enfrentado pelo governo será refletido nas próximas eleições.
Em meio a esse turbilhão, a confiança na administração atual continua a ser colocada à prova. Assim, à medida que o vínculo entre Joesley Batista e Maduro se torna um tema recorrente, as repercussões para o governo Lula podem ser ainda mais desafiadoras nos meses que se seguem.


