Polícia Federal em Ação Contra Irregularidades na Rioprevidência
Na manhã desta quarta-feira (11), uma cena inusitada chamou atenção em Balneário Camboriú, Santa Catarina: uma mala recheada de dinheiro foi lançada pela janela de um apartamento durante uma operação da Polícia Federal (PF). Este episódio faz parte da terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga crimes financeiros relacionados à gestão dos recursos do Rioprevidência, o fundo de previdência dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.
A operação resultou no cumprimento de dois mandados de busca e apreensão, não apenas em Balneário Camboriú, mas também na cidade vizinha de Itapema. O objetivo principal da ação é a recuperação de bens e valores que haviam sido retirados de um imóvel no Rio de Janeiro, associado a investigações realizadas durante a primeira fase da operação em 23 de janeiro.
Naquela oportunidade, a PF realizou buscas em locais ligados ao ex-presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, e aos ex-diretores Eucherio Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal.
Apreensões e Diligências
Além da mala com dinheiro, a ação desta quarta-feira resultou na apreensão de dois automóveis de luxo e dois aparelhos celulares, um dos quais pertencia à pessoa que, em um ato desesperado, arremessou a mala com os valores pela janela. Os veículos foram levados para a delegacia da PF em Itajaí, na região norte de Santa Catarina.
Os mandados de busca foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, e a operação foi fundamentada em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas, o que levanta sérias preocupações sobre a integridade do processo investigativo.
Investigação em Detalhes
A Operação Barco de Papel se concentra na análise de irregularidades na aquisição, por parte do Rioprevidência, de letras financeiras emitidas pelo Banco Master, uma instituição sob a direção do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo informações da PF, entre novembro de 2023 e julho de 2024, o fundo de previdência investiu aproximadamente R$ 970 milhões no Banco Master.
Entretanto, essa operação financeira está sendo investigada devido a suspeitas de que o banco estivesse envolvido em um esquema fraudulento bilionário, que incluía a emissão de títulos sem valor real e a manipulação artificial do balanço da entidade. O Rioprevidência, responsável por garantir pensões e aposentadorias aos servidores estaduais, nega qualquer irregularidade.
Vale destacar que o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) em 18 de novembro do ano passado, em meio a uma grave crise de liquidez e diversas violações às normas financeiras. Relatórios e investigações da PF indicam que a instituição de Vorcaro pode ter desviado cerca de R$ 11,5 bilhões.
Consequências e Mudanças na Direção
No mesmo dia em que a operação foi deflagrada, Deivis Marcon Antunes, então presidente do Rioprevidência, foi exonerado pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Essa medida ocorreu logo após o anúncio da própria renúncia de Antunes, evidenciando a pressão sobre a gestão do fundo em meio a um cenário de grande incerteza.
As investigações continuam e a situação em torno do Rioprevidência permanece tensa, à medida que novos desdobramentos são aguardados. A sociedade observa atentamente os resultados da Operação Barco de Papel, que visa restaurar a confiança nas instituições e na gestão dos recursos do fundo de previdência.


