Panorama das Micro e Pequenas Empresas
Um estudo recente do Observatório de Negócios do Sebrae/SC, baseado em entrevistas com 700 empreendedores de diversos setores, oferece uma visão detalhada do desempenho das micro e pequenas empresas (MPEs) em Santa Catarina durante o 4º trimestre de 2025. A pesquisa, realizada entre janeiro e fevereiro de 2026, explora desde o perfil dos empresários até aspectos relacionados a faturamento, investimentos e criação de empregos.
De acordo com o gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/SC, Roberto Füllgraf, “os dados indicam um cenário de estabilidade, mas com sinais significativos de transformação, especialmente na adoção de tecnologias. As pequenas empresas estão se mostrando mais maduras na forma de gerenciar e desenvolver suas estratégias de crescimento”.
Perfil das Empresas e Empreendedores
Na análise do perfil dos respondentes, 52% são Microempresas (ME) e 48% Empresas de Pequeno Porte (EPP). O setor de Serviços destaca-se, representando 66%, seguido pelo Comércio com 50,7% e pela Indústria a 20,3%. Isso evidencia uma dinâmica econômica concentrada em atividades de serviços e comércio, com segmentos como Moda e Confecção (7,3%), Casa e Construção (7,3%), Alimentos e Bebidas (6,9%) e Mercado PET (6,6%) mostrando forte apelo de consumo.
Quanto aos empreendedores, a pesquisa revela que 55% são homens e 45% mulheres. A formação acadêmica também é um ponto relevante: 52,3% possuem Ensino Superior completo, o que proporciona uma base sólida para inovação e gestão eficiente. A idade predominante dos empresários varia entre 36 a 45 anos, representando 34,6% dos entrevistados, indicando um perfil de experiência e maturidade profissional.
Cenário de Vendas e Faturamento
O 4º trimestre de 2025 foi um período desafiador para as MPEs em comparação aos dois primeiros trimestres do mesmo ano. No entanto, a percepção de queda nas vendas diminuiu, passando de 42,2% no 3º trimestre para 38,1%. Contudo, o faturamento cresceu 4,9% em relação ao mesmo período de 2024, com a Indústria apresentando um aumento significativo de 10,4%, enquanto o Comércio enfrentou uma queda de 3,3%.
Os segmentos que mais se destacaram em faturamento foram Metalmecânico (31,2%), Educação (12,3%), Moda e Confecção (12,1%) e Serviços Diversos (11,5%). Essa evolução em setores específicos demonstra um impulso econômico em áreas bem definidas.
Geração de Empregos e Investimentos
No que tange à geração de empregos, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, houve um modesto crescimento no número de ocupações, variando entre 5,9% por porte e 7,1% por setor, principalmente nas empresas de pequeno porte e em comércio e serviços. O estado de Santa Catarina, segundo dados do IBGE, mantém a menor taxa de desemprego do Brasil, que é de 2,3%, em contraste com a média nacional de 5,4%.
Os investimentos mostraram maior intensidade no início de 2025, com 47,3% registrados no 1º trimestre e 45,6% no 2º. O segundo semestre, no entanto, apresentou uma desaceleração nos investimentos, com 40,6% no 3º e 40,4% no 4º trimestre. As principais áreas de investimento foram Infraestrutura e Reforma (42,4%), Equipamentos e Ferramentas (36,4%), Aquisição de Maquinário (23%) e Marketing (13,4%).
Dificuldades e Capacitação
Um dos principais desafios enfrentados pelas MPEs em 2024 foi a falta de mão de obra qualificada, citada por 46,4% dos pequenos empresários. Essa dificuldade, no entanto, teve uma redução ao longo do ano, encerrando o 4º trimestre em 33,3%. Por outro lado, a situação econômica adversa ganhou destaque, especialmente a partir do 2º trimestre, mantendo-se elevada em 36,9% no final do ano.
As prioridades de capacitação também mudaram em 2025, com o interesse em Inteligência Artificial subindo de 2,1% no 1º trimestre para mais de 36% no 4º. A utilização de tecnologia, especialmente em Marketing, teve um crescimento notável, indicando uma evolução na maturidade digital dos pequenos negócios.
Expectativas para o Futuro
As expectativas para o 1º trimestre de 2026 mostram uma previsão de estabilidade com um viés positivo: 49,4% dos empresários acreditam que manterão as vendas no mesmo nível, enquanto 36,3% esperam um crescimento. A projeção de aumento de faturamento em 8,7% indica uma confiança moderada, embora apenas 17,9% pretendam investir mais. A leve alta no emprego, prevista em 1,7%, sugere uma expansão cautelosa no início do ano, com os empresários adotando uma postura mais conservadora diante dos desafios econômicos.


