Oportunidade de Crescimento e Geração de Renda Durante a Folia
O Carnaval, tradicionalmente associado à folia e ao descanso, também se configura como uma janela de oportunidades para diversos empreendedores. No Brasil, uma pesquisa do SEBRAE revela que 12% dos pequenos negócios estão diretamente relacionados a esta festividade, totalizando cerca de 2,9 milhões de empreendimentos que aproveitam a efervescência da data.
Arthur Ccacya, um peruano que dirige uma loja de roupas e acessórios no Brás, em São Paulo, destaca a relevância do Carnaval para suas vendas. Ele gerencia o seu negócio há uma década e afirma que essa época do ano é crucial para a sua empresa. ‘O resto do ano é mais equilibrado, mas nada se compara à intensidade do Carnaval. É quando as vendas disparam’, comenta.
Esta observação de Arthur não é apenas uma experiência individual. O Carnaval tem o potencial de movimentar a economia em níveis significativos. A pesquisa do SEBRAE indica que São Paulo é o estado com o maior número de negócios relacionados à festa, somando 814 mil. Minas Gerais e Rio de Janeiro vêm em seguida, com 344 mil e 241 mil, respectivamente.
De acordo com Sérgio Assunção Monteiro, professor e pesquisador da ESPM, o Carnaval é um impulsionador vital para o ecossistema de pequenos negócios brasileiros. Ele explica que a demanda por produtos e serviços durante a folia não apenas aumenta as vendas, mas também alimenta toda a cadeia produtiva. ‘Para muitos empreendedores, o Carnaval representa uma injeção de capital essencial para a saúde financeira de seus negócios’, afirma Monteiro.
O levantamento do SEBRAE ainda revela que 80% dos pequenos negócios ligados ao Carnaval se concentram em 11 atividades econômicas, com o comércio de vestuário e acessórios se destacando. Esta tendência é visível em várias cidades do Brasil.
Em Belo Horizonte, Aline Diniz, proprietária de um negócio de maquiagem, decidiu inovar ao levar sua loja para os blocos de Carnaval, em vez de esperar que os foliões a visitassem. ‘Sentíamos falta de um pouco mais de cor nas ruas. O Carnaval impacta diretamente nossos lucros, pois somos uma empresa de maquiagem e temos um grande aumento nas vendas durante esse período’, explica Aline.
Outro exemplo é Daniela Braga, que possui uma loja especializada em bijuterias e biojóias. Para ela, o Carnaval é a segunda data mais lucrativa do ano, perdendo apenas para o Natal. Daniela percebe que a procura por acessórios carnavalescos começa bem antes de fevereiro, com clientes já buscando seus produtos em dezembro. ‘Comecei devagar, vendendo para alguns foliões de blocos. Com o tempo, as vendas cresceram e hoje é a minha segunda maior fonte de renda’, conta.
No Rio de Janeiro, 65% dos pequenos negócios relacionados ao Carnaval são microempreendedores individuais, enquanto 29% são microempresas e 4% são de pequeno porte. O SEBRAE Rio informou que o número de empreendimentos nesse segmento cresceu 5% em 2025 em relação ao ano anterior, confirmando a tendência de crescimento.
O impacto econômico do Carnaval é inegável. A temporada festiva não apenas proporciona uma oportunidade para os pequenos negócios aumentarem seu faturamento, mas também fortalece a economia local e promove a criatividade e inovação entre os empreendedores. À medida que a folia se aproxima, é evidente que muitos estão prontos para aproveitar essa injeção de oportunidades.


