Grito Rua: Clima e Cultura
O projeto Grito Rua: Clima e Cultura, desenvolvido pela Associação Intercultural de Hip Hop Urbanos da Amazônia (AIHHUAM), destaca-se por integrar cultura, ativismo e formação política. Neste ano, o foco foi preparar coletivos jovens para participarem ativamente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Ao longo da iniciativa, foram promovidos debates sobre identidade, juventude e sustentabilidade, abordando questões essenciais para a realidade amazônica.
Em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, Drica Albuquerque, coordenadora do Grito Rua, e Rafa Pimentel, jovem participante e membro do Espaço Buriti, em Parintins, discutiram a importância do projeto e seu impacto social. “O Grito Rua fortaleceu dez coletivos em uma jornada formativa: sete em Manaus e três do interior do estado. Cada grupo recebeu capacitação em justiça climática e COP, aprendendo a ouvir suas comunidades e levar ações de melhoria para seus territórios”, comenta Albuquerque.
Os coletivos não só receberam formação, mas também recursos para aprimorar seus espaços e realizar intervenções diretas nas comunidades, como grafites e atividades em espaços sociais. O objetivo é fortalecer a identidade cultural dessas comunidades e promover a conscientização sobre os impactos climáticos.
A Importância do Grito Rua
Drica Albuquerque explica que a proposta surgiu da necessidade de fortalecer coletivos artísticos nas periferias do Amazonas, especialmente em um ano tão importante como 2023, quando se realiza a COP30. “Percebemos que a maioria das pessoas nas periferias não tem acesso à informação sobre a COP ou compreendem sua importância. O projeto visa levar esse conhecimento a quem mais precisa”, relata.
Além da formação teórica, os coletivos participaram de atividades práticas que incluíram a realização de murais artísticos em Parintins. Rafa Pimentel enfatiza a relevância da arte como ferramenta de comunicação e educação. “Nosso projeto, intitulado ‘Cidade Flutuante’, foi uma experiência transformadora, criando um diálogo entre os jovens e a comunidade”.
As intervenções artísticas ocorreram nas casas flutuantes, transformando a Orla da União em uma verdadeira galeria a céu aberto. Quatro artistas participaram do projeto, utilizando grafite para abordar questões ambientais e estimular a participação dos moradores. “A interação durante o processo foi incrível, e isso gerou um sentimento de pertencimento e valorização do espaço”, destaca Pimentel.
Resultados e Futuro do Grito Rua
Para Drica, o apoio do Instituto Cultura, Comunicação e Incidência (ICCI) foi crucial para unir a cultura às discussões climáticas. “A AIHHUAM já possui um trabalho consolidado na região, focado em apoiar jovens da periferia e oferecendo alternativas criativas para enfrentar os desafios climáticos”, reforça.
Os coletivos envolvidos no projeto são liderados por jovens com um desejo genuíno de provocar mudanças em suas comunidades. Além de Parintins, iniciativas similares foram implementadas em Iranduba e Presidente Figueiredo, onde também se promovem ações de valorização cultural e ambiental. Em Manaus, coletivos de B-boys e projetos sociais com crianças estão em andamento, mostrando a diversidade e a riqueza das ações promovidas pelo Grito Rua.
Rafa conclui afirmando que a experiência foi valiosa. “Trabalhamos desde 2018 e o suporte da AIHHUAM foi fundamental. Acreditamos que, com as ferramentas corretas, podemos impactar nossa comunidade positivamente, usando a arte como um meio para disseminar conhecimentos e despertar o interesse sobre questões locais”, finaliza. Para acompanhar os resultados dessas iniciativas e saber mais sobre o Grito Rua, siga a AIHHUAM no Instagram: @aihhuam.


