Indústria Suinícola sob Pressão
Em fevereiro, o valor da carcaça suína subiu 10,8% em relação a janeiro, alcançando R$ 13,20 por quilo. No entanto, a redução nas compras da indústria influenciou uma queda nos preços no mercado independente. O cenário para março promete ser ainda mais desafiador, especialmente com a instabilidade gerada pelo conflito no Oriente Médio.
Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP), campus de Piracicaba, afirmaram que essa situação resultou em um “desarranjo da oferta interna”. O preço do suíno vivo, por exemplo, caiu para uma média de R$ 6,91 por quilo em fevereiro, uma retração de mais de 16% em comparação aos R$ 8,24 do mês anterior, na região conhecida como SP-5, que inclui cidades como Bragança Paulista, Campinas e Sorocaba. Comparando com fevereiro de 2025, quando o valor era de R$ 8,66 por quilo, a desvalorização atinge 20%.
Impactos do Conflito no Oriente Médio
Especialistas do Cepea, ao serem consultados, ressaltaram que o conflito no Oriente Médio, particularmente envolvendo o Irã, gera apreensões no setor, embora a região não seja um mercado significativo para a carne suína brasileira, devido principalmente a questões religiosas. O fechamento de rotas de escoamento e o aumento nos custos de fretes e seguros marítimos têm sido uma preocupação crescente para os exportadores.
Além disso, a equipe de grãos do Cepea destacou que, no segundo semestre de 2025, os preços do suíno vivo apresentaram uma recuperação, influenciados pela queda nos valores do farelo de soja. Em setembro, o preço médio do animal subiu para R$ 9,25 por quilo, o maior valor registrado até então em 2025, o que demonstra um cenário mais favorável para os suinocultores.
Demandas e Preços em Alta
Os preços do farelo de soja na região de Campinas caíram para uma média de R$ 1.660,53 por tonelada, uma redução significativa de 21,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar das flutuações, os valores do suíno vivo e da carne suína apresentaram um desempenho positivo desde o final do primeiro semestre de 2025, mesmo em um cenário que geralmente apresenta recuos nas cotações.
O mercado independente de suínos foi beneficiado por uma demanda aquecida no início de agosto, o que contribuiu para a estabilidade dos preços. Ao longo da segunda quinzena do mês, essa procura se manteve firme, e os valores não recuaram como é comum nessa época do ano. O Cepea relatou que as médias mensais dos preços do suíno vivo aumentaram em quase todas as praças acompanhadas, em comparação com julho.
A demanda por carne também foi considerável em agosto, resultando em aumentos nos preços da maioria dos produtos suinícolas. O indicador do Suíno Vivo Mensal Cepea/Esalq registrou valores de R$ 8,57 em Minas Gerais, R$ 8,27 no Paraná, R$ 8,15 no Rio Grande do Sul, R$ 8,19 em Santa Catarina e R$ 8,76 em São Paulo.
Os preços da carne suína, que já apresentavam um aumento em junho, continuam sendo um tema relevante na discussão do mercado. A instabilidade geopolítica e as flutuações no mercado interno estão moldando o cenário econômico para produtores e consumidores.


