Agressões e Preconceito na Escola
Um caso alarmante de racismo e violência escolar foi registrado em uma escola estadual de Sorocaba, onde uma aluna enfrentou seguidos ataques de dois colegas. O pai da estudante relatou que durante um dos episódios mais recentes, os agressores jogaram leite quente no rosto da jovem. Segundo ele, essas agressões, que incluem socos e xingamentos racistas, como ser chamada de “macaca”, têm ocorrido de forma constante desde 2025.
O impacto emocional na menina tem sido significativo, levando-a a desenvolver dificuldades de socialização e um medo crescente de compartilhar os ocorridos. O pai expressou sua indignação ao afirmar que a escola não tem tomado as providências adequadas para lidar com a situação e proteger sua filha. “A Secretaria da Educação já afastou um dos agressores e acionou o Conselho Tutelar, mas a sensação de impotência persiste”, afirmou.
Medidas e Reações da Escola
A escola estadual Joaquim Izidoro Marins, onde as agressões ocorreram, é o foco de críticas por parte da família da vítima. O pai, que optou por não se identificar, contou ao g1 que foi convidado pelo diretor a assistir a uma gravação que mostra sua filha sendo agredida, mas não pôde registrar o vídeo. “É uma burocracia que realmente dificulta a busca por justiça”, desabafou.
Após o primeiro ataque, ele registrou um boletim de ocorrência e tentou contato com os responsáveis pelos agressores, mas não obteve resposta. “A família deles parece não se importar e sempre coloca a culpa na escola”, relatou. O diretor tomou algumas medidas, como a separação dos alunos envolvidos em classes diferentes, mas as agressões continuaram.
Impacto Psicológico na Aluna
A situação tem causado um impacto profundo na saúde mental da estudante. O pai relatou que sua filha não quer participar de atividades físicas e se mostrou relutante em fazer novas amizades. “Ela veio me contar que havia sido insultada, e pude ver lágrimas em seus olhos. A mudança em seu comportamento é preocupante”, disse. Apesar de algumas tentativas de socialização, a menina continua com receio e insegurança.
O pai também compartilhou que a agressão do leite quente aconteceu durante o intervalo e, embora não tenha causado queimaduras sérias, deixou marcas emocionais que podem ser mais duradouras. Ele se sente angustiado por ver sua filha tão afetada. “Ela costumava relatar as agressões, mas agora prefere ficar em silêncio. Isso é muito doloroso para nós, como pais”, comentou.
Busca por Apoio e Justiça
Com a situação se agravando, o pai decidiu buscar apoio para garantir a saúde mental de sua filha. Ele destacou que a situação é alarmante e que a mudança de comportamento da jovem é evidente. “Ela foi alvo de ofensas como ‘encontrada no lixo’, e isso gerou um bloqueio em seu desenvolvimento”, lamentou.
Recentemente, o diretor da escola conversou com o pai por aplicativo, informando que apenas um dos alunos foi suspenso. O pai agora busca um advogado especializado em casos de racismo para ajudar na luta por justiça e apoio apropriado para sua filha. “Uma professora disse que minha filha tem um potencial enorme, mas algo está impedindo seu desenvolvimento”, finalizou.
Nota da Secretaria da Educação
A Secretaria da Educação (Seduc) se manifestou sobre o caso e reiterou seu repúdio a todas as formas de racismo e violência. Segundo a nota, os responsáveis pelos alunos agressores foram convocados para discutir as “medidas disciplinares necessárias” e o caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar. A Seduc também informou que está apoiando a escola na intensificação de projetos contra o racismo e que está aberta a dialogar com a família para esclarecer os próximos passos.


