Desempenho do Fluxo Cambial em 2025
O Brasil alcançou um marco preocupante em 2025, registrando a segunda maior saída líquida de dólares da história, de acordo com dados preliminares do Banco Central (BC) divulgados nesta quarta-feira (7). O fluxo cambial totalizou um déficit de aproximadamente US$ 33,316 bilhões, ficando atrás apenas do recorde de US$ 44,768 bilhões registrado em 2019.
Embora o resultado seja alarmante, o real se valorizou ao longo do ano, impulsionado por taxas de juros elevadas no país e pela retração do dólar no cenário internacional. Isso reflete um paradoxo econômico que merece atenção.
Influências no Canal Financeiro
A maior parte da evasão de dólares se concentrou no canal financeiro, que acumulou uma saída líquida de US$ 82,467 bilhões em 2025, apenas superada pelo resultado negativo de 2024. Esse canal abrange não apenas investimentos diretos e em carteira, mas também remessas de lucros, pagamento de juros e uma variedade de operações financeiras.
Por outro lado, o canal comercial teve uma entrada líquida de US$ 49,151 bilhões, insuficiente para contrabalançar a significativa fuga de recursos financeiros. O saldo positivo, apesar de ser expressivo, ficou abaixo das marcas históricas, especialmente em comparação ao ponto alto observado em 2007 e ao desempenho do ano anterior, 2024.
Impacto das Importações
Segundo o Banco Central, um dos principais fatores que contribuíram para a modesta entrada de dólares pela via comercial foi o aumento acentuado das importações. O valor do câmbio contratado para compras externas chegou a impressionantes US$ 238 bilhões, o segundo maior da série histórica, perdendo apenas para o ano de 2022.
As exportações, por sua vez, totalizaram US$ 287,5 bilhões no ano, mas o fluxo cambial, que considera operações como pagamentos antecipados e adiantamentos de contratos de câmbio, apresentou uma dinâmica diferente da balança comercial, que considera apenas exportações e importações concretizadas.
Valorização do Real em Meio à Crise
Apesar da considerável saída de dólares do mercado, o real teve uma apreciação ao longo de 2025. Altas taxas de juros no Brasil, juntamente com um enfraquecimento do dólar a nível global, proporcionaram um terreno fértil para a valorização da moeda brasileira no mercado de derivativos. Essa situação ajudou a mitigar o impacto do fluxo cambial negativo.
O Banco Central, por sua vez, manteve uma postura cautelosa, realizando apenas duas intervenções no mercado à vista, cada uma no valor de US$ 1 bilhão, utilizando um mecanismo chamado “casadão”. Esse método envolve a venda de dólares das reservas internacionais, combinada com a compra de dólares no mercado futuro, permitindo à autoridade monetária aliviar a pressão sobre a taxa de juros em dólar, sem alterar o câmbio.
Fluxo Cambial de Dezembro
Em dezembro, o fluxo cambial apresentou um déficit de US$ 13,562 bilhões, um número que, embora negativo, foi inferior ao montante registrado no mesmo mês de 2024, quando a saída atingiu US$ 27 bilhões. Esse resultado foi influenciado por uma evasão de US$ 20,982 bilhões na conta financeira, que foi parcialmente atenuada por uma entrada de US$ 7,421 bilhões na conta comercial.
De forma tradicional, dezembro é um mês em que se intensificam as remessas ao exterior, especialmente para pagamento de dividendos. Em 2025, esse movimento foi exacerbado por empresas e investidores que se anteciparam ao fim da isenção do imposto de renda sobre remessas internacionais, que começou a ser tributada em janeiro de 2026.
Compreendendo o Fluxo Cambial
O balanço de pagamentos, que o Banco Central divulga mensalmente, mede as relações monetárias entre residentes e não residentes. O fluxo cambial serve como um importante indicador, antecipando os números finais ao contabilizar adiantamentos de contratos de câmbio e pagamentos antecipados. Ele é dividido em duas partes: o fluxo comercial, que se refere às operações de exportação e importação, e o fluxo financeiro, que abrange investimentos, empréstimos e transações financeiras. Os dados revelam que a fuga de dólares predominou no canal financeiro ao longo do último ano.


