Desenvolvimento Sustentável através do Saneamento
As obras de saneamento realizadas na Baía de Guanabara não são apenas uma questão de saúde pública; elas representam uma verdadeira transformação na relação da população com o meio ambiente local. De acordo com Ana Asti, subsecretária do Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Rio de Janeiro, a recuperação da qualidade ambiental abre portas para a economia azul, um conceito que envolve negócios relacionados aos recursos hídricos. ‘Estamos criando uma política estadual voltada para a economia azul e envolvemos a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro para mapear o potencial em todos os 25 municípios costeiros do estado.’, afirmou durante o seminário “RJ Resiliente”. Esta mudança não se restringe apenas aos municípios adjacentes à baía. O governador Cláudio Castro enfatiza a importância de interligar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental, um ponto crucial para o futuro sustentável da região.
A transformação das praias, que agora reabrem para banhistas e são habitadas por diversas espécies marinhas, como golfinhos e tartarugas, reflete essa nova fase de recuperação. ‘O turismo será um pilar essencial na economia azul, mas há ainda muito espaço para inovações, como pesca sustentável, produção de mel em manguezais e transporte aquaviário’, acrescentou Ana Asti, indicando que pequenos e médios empreendedores têm tudo a ganhar nessa nova configuração do mercado.
Parcerias Estratégicas para Saneamento
O seminário contou com a presença de especialistas com diferentes experiências, como a geógrafa Tamara Grisolia, que destacou a importância das parcerias com os municípios. ‘Trabalhamos em conjunto com as prefeituras no planejamento e na execução de projetos de saneamento. Entre nossas iniciativas, está o relatório ambiental anual, que coleta dados para oferecer um diagnóstico preciso das condições sanitárias do estado e pensar em soluções efetivas’, relatou.
A transparência também é um pilar fundamental das ações do Programa de Saneamento Ambiental (Psam). Com a construção de uma base de dados geoespacial acessível na internet, a população poderá acompanhar dados sobre saneamento, promovendo uma gestão mais aberta e participativa. ‘A transparência vai além da publicação de dados; é uma forma de envolver a sociedade no processo’, destacou Grisolia.
Monitoramento e Fiscalização: Chaves para a Sustentabilidade
A tecnologia se mostra aliada nas ações de recuperação da Baía de Guanabara. O professor Luiz Paulo Assad, do Laboratório de Métodos Computacionais da Coppe/UFRJ, detalhou um projeto de monitoramento que visa identificar e inibir agentes poluidores. ‘Desenvolvemos uma plataforma digital que observa as condições oceanográficas e meteorológicas da baía, essencial para garantir a qualidade das águas e, consequentemente, a balneabilidade das praias’, explicou Assad.
Além de acompanhar a poluição, a fiscalização é um aspecto vital para a proteção ambiental, como enfatizou o biólogo Mario Moscatelli. ‘Durante décadas, permitimos que nossas bacias hidrográficas se tornassem depósitos de esgoto e lixo. A fiscalização tem que ser fortalecida para que crimes ambientais sejam punidos de forma eficaz’, afirmou, ressaltando que mudanças positivas já podem ser observadas em locais como a Lagoa Rodrigo de Freitas, que tem se recuperado gradualmente.
A subsecretária Ana Asti também informou que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) está investindo em tecnologia para aumentar a fiscalização. O programa “De Olho no Verde” é um exemplo de monitoramento que abrange desde pequenas infrações até intervenções criminosas significativas. ‘Precisamos que a sociedade nos informe sobre despejos ilegais e outros crimes ambientais, para que possamos agir rapidamente’, incentivou.
Compromissos com a Natureza
O Estado do Rio de Janeiro se compromete a fortalecer suas ações de combate ao desmatamento e à recuperação de florestas. Em 2023, foi registrada uma redução de 68% no desmatamento de áreas de Mata Atlântica, resultado de um investimento de R$ 530 milhões em restauração florestal por meio do Fundo da Mata Atlântica. O programa “De Olho no Verde – Queimadas” também tem sido fundamental na fiscalização de incêndios, muitas vezes provocados por ações humanas.
Além disso, o tratamento de esgoto na região metropolitana deverá aumentar de 45% em 2021 para 90% até 2033, uma meta que promete transformar a qualidade de vida e a saúde ambiental na região.


