CPI do Crime Organizado Aponta Falhas na Atuação da Meta
No dia 24 de outubro, durante o depoimento da representante da Meta à CPI do Crime Organizado, senadores expressaram a necessidade urgente de maior rastreabilidade em conteúdos ilícitos nas plataformas controladas pela empresa, como Facebook, Instagram e WhatsApp. Os parlamentares enfatizaram que, mesmo sem uma ordem judicial, a Meta possui ferramentas suficientes para implementar proteções e reparações a usuários que se tornaram vítimas de fraudes.
A diretora de Políticas Econômicas da Meta na América Latina, Yana Dumaresq, assegurou que a empresa está investindo na modernização e automação de seus mecanismos de alerta, além de praticar ações contra conteúdos enganosos. Contudo, a falta de métricas sobre denúncias, contas removidas e casos de golpe foi criticada pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ele lamentou que a Meta não tenha apresentado dados concretos sobre a situação de segurança em suas plataformas.
Segundo Vieira, o Anuário de Segurança Pública revela que todos os anos, cerca de 56 milhões de brasileiros são alvo de fraudes na internet, totalizando prejuízos que ultrapassam R$ 50 bilhões. O senador questionou a falta de conhecimento da empresa sobre seu mercado, especialmente considerando que o Brasil é um dos principais mercados globais da Meta.
— É incompreensível que uma empresa desse porte não tenha um controle efetivo sobre o número de contas removidas por golpes — criticou Vieira.
Resposta da Meta e Desafios Enfrentados
Yana Dumaresq argumentou que a rede de golpistas digitais é complexa e que, muitas vezes, os anúncios que parecem legítimos são utilizados como isca para atrair usuários a ambientes fraudulentos. Para ela, é crucial que os usuários façam denúncias, o que facilitariam a proteção e a remoção dos conteúdos nocivos.
Alessandro Vieira citou um levantamento da Agência Reuters, publicado em novembro de 2025, que indicava que a Meta teria recebido cerca de 10% de sua receita anual, estimada em US$ 16 bilhões, com anúncios fraudulentos. Ao questioná-la sobre essa informação, Dumaresq disse desconhecer tais dados e destacou que a empresa já possui tecnologia para detectar e remover conteúdos prejudiciais antes mesmo de denúncias.
No entanto, muitos senadores expressaram a preocupação de que a responsabilidade pelo combate a fraudes não pode ser completamente transferida aos usuários. Vieira enfatizou que, enquanto o volume de anúncios gerados por anunciantes aumenta, a empresa deve assumir sua parte na proteção dos usuários.
Discussões sobre o Meta Verified e o WhatsApp
Os senadores também questionaram a eficácia do produto Meta Verified, que oferece um selo de verificação para usuários mediante pagamento. Eles ressaltaram que isso pode gerar confusão, levando os usuários a acreditar que estão completamente protegidos. Dumaresq garantiu que, independentemente do selo, todas as contas na plataforma são verdadeiras e verificadas.
Outro ponto de discussão foi o uso do WhatsApp, amplamente utilizado para golpes no Brasil. O relator da CPI, Alessandro Vieira, salientou a dificuldade de monitorá-lo, uma vez que a empresa não possui ferramentas eficazes para verificar o cumprimento de seus termos de uso. Dumaresq garantiu que a Meta está investindo em segurança nessa plataforma, utilizando inteligência artificial para detectar interações fraudulentas e alertar usuários.
Casos de Exploração e Legislação
Citando um relatório de 2020, Vieira ressaltou que o Facebook foi a plataforma mais utilizada por traficantes sexuais. Ele questionou se a Meta possui capacidades suficientes para combater o aliciamento de crianças. Em resposta, Dumaresq afirmou que o assunto é prioridade para a empresa, com equipes dedicadas a esse tema.
Além disso, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) levantou questões sobre a aplicação das diretrizes globais da Meta frente à legislação brasileira. Dumaresq assegurou que a empresa cumpre integralmente as normas locais e que verifica se os anunciantes de apostas estão regulados conforme as leis do país.
Ações Futuras e Parcerias no Combate a Fraudes
A diretora da Meta finalizou destacando que a empresa tem ampliado seus esforços para proteger usuários e desarticular redes criminosas em suas plataformas. Dumaresq mencionou que, apenas no último ano, mais de 12 milhões de contas foram desativadas devido a atividades fraudulentas, além de 134 milhões de anúncios irregulares removidos.
A Meta continua a buscar parcerias entre o setor privado e autoridades para aprimorar a segurança de suas plataformas. Dumaresq enfatizou que o combate a fraudes é um desafio contínuo e que a empresa está comprometida em melhorar suas medidas de proteção e resposta.


