A Ameaça à Autonomia Educacional
A educação no Brasil atravessa um momento permeado por incertezas, especialmente com a proposta de um novo Sistema Nacional de Educação (SNE). Durante a recente Conferência Nacional da Educação (Conae), surgiram planos que podem agravar ainda mais a situação do ensino no país, que já enfrenta desafios há décadas. O professor Hermes Rodrigues Nery, renomado especialista em Bioética pela Pontifícia Universidade Católica e membro do Movimento Legislação e Vida, critica abertamente esse movimento.
Em uma entrevista à revista Brasil Sem Medo, ele expressa sua preocupação de que a implementação do SNE, nas condições atuais, levaria a uma uniformização da educação, impondo uma ideologia progressista que comprometeria a formação crítica dos alunos. Segundo Nery, essa abordagem estaria gerando uma queda acentuada na qualidade do ensino, ameaçando a liberdade de pensamento dos estudantes.
Desafios da Cultura Woke
Nery também destaca a preocupação com a introdução da chamada “Cultura woke” no sistema educacional brasileiro. Originalmente associada à conscientização sobre questões sociais e políticas, o termo evoluiu para um movimento que, segundo críticos, tende a promover agendas ideológicas de maneira excessiva, sufocando a diversidade de pensamentos. Nesse sentido, o professor enfatiza que a adoção de uma visão uniforme na educação pode criar um ambiente pouco propício ao desenvolvimento do pensamento crítico.
Ele adverte que a nova proposta educacional pode resultar em uma significativa perda de autonomia nas escolas, afetando tanto a gestão pedagógica quanto a financeira. Isso poderia trazer restrições severas na seleção de professores, priorizando critérios identificatórios e ideológicos em detrimento das habilidades e qualificações necessárias para o ensino. Nery enfatiza que a educação deve permanecer um espaço de pluralidade e debate, não de imposição ideológica.
Alinhamento com Agendas Globalistas
As diretrizes apresentadas no CONAE, segundo Nery, estão em sintonia com a Agenda 2030 da ONU e outras pautas de viés globalista. Para ele, isso representa um movimento estratégico que visa controlar a educação em níveis mais amplos, limitando a capacidade dos educadores e das famílias de moldar a aprendizagem dos jovens.
O professor ainda ressalta o impacto potencialmente negativo nas escolas confessionais e particulares, que poderiam sofrer cortes de verbas, aumentando a centralização do controle educacional no Brasil. Ele defende, portanto, a necessidade urgente de barrar essas mudanças, em defesa da liberdade educacional no país.
Consequências da Doutrinação Ideológica
Nery alerta que a implementação do SNE, conforme está proposto, poderia resultar em um ambiente educacional que sufoca a autonomia e a diversidade de ideias. Ao invés de promover a educação como um espaço de aprendizado livre, esse novo sistema poderia se transformar em um instrumento de conformismo, onde apenas uma visão de mundo seria aceita.
O professor também critica o que considera um “cavalo de Troia” para a inserção de ideologias totalitárias nas escolas, observando que a doutrinação ideológica, disfarçada de educação, prejudica a liberdade de expressão e a pluralidade de pensamentos. O resultado seria uma educação que forma indivíduos menos críticos, mais suscetíveis a dogmas ideológicos.
Resultados Alarmantes nas Avaliações Educacionais
Os efeitos da ideologização da educação já são evidentes nos índices de desempenho dos alunos brasileiros. Nos rankings internacionais, como o PISA, o Brasil tem registrado posições muito aquém do desejado. Em 2017, o país ocupou a 51ª posição em leitura, a 53ª em matemática e a 57ª em ciências entre 79 países. Esses dados refletem um cenário alarmante, onde muitos alunos não alcançam o nível básico de proficiência.
Além disso, dados do Índice Nacional de Alfabetização (INA) mostram que apenas 66,5% dos estudantes do terceiro ano do ensino fundamental atingiram proficiência em leitura, enquanto o ENEM de 2023 revelou que apenas 51,5% dos candidatos obtiveram notas superiores a 300 pontos, o mínimo para serem considerados proficientes.
O Caminho a Seguir
A realidade atual da educação no Brasil exige uma mobilização da sociedade. É fundamental resgatar a autonomia das escolas e combater a doutrinação ideológica, priorizando um ensino que realmente prepare os jovens para o futuro. O progresso da nação depende da educação de qualidade, e é essencial que os cidadãos se unam em defesa da pluralidade de ideias e da liberdade de aprendizado. Somente assim será possível interromper a trajetória do ideário woke que ameaça o futuro educativo das novas gerações.


