Decisão do Copom em Manter a Taxa Selic
Nesta quarta-feira, o Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. Essa é a quarta reunião consecutiva em que o Comitê de Política Monetária (Copom) opta por não alterar a taxa, um movimento que já era esperado pelo mercado financeiro. A decisão ocorre em um cenário de inflação em recuo e uma economia que apresenta sinais de desaceleração.
Este nível de juros é o mais alto registrado desde julho de 2006, quando a Selic estava em 15,25% ao ano. A taxa, que chegou a ser de 10,5% ao ano em maio de 2022, começou a subir em setembro do mesmo ano, alcançando a marca atual em junho de 2023, e permanecendo nesse patamar desde então.
Controle da Inflação e Meta Contínua
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A Selic desempenha um papel crucial na estratégia do Banco Central para controlar a inflação, que é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em novembro, o IPCA registrou uma alta de apenas 0,18%, o menor índice para o mês desde 2018. Com este resultado, a inflação acumulada nos últimos 12 meses atingiu 4,46%, voltando a ficar dentro do teto da meta contínua estabelecida.
Com o novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro, a meta de inflação é definida em 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Portanto, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%. Essa abordagem permite que a meta seja avaliada mensalmente, com a inflação acumulada sendo comparada com o objetivo estabelecido.
Previsões do Banco Central e do Mercado
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no final de setembro, o Banco Central revisou a previsão para o IPCA de 2025, reduzindo-a para 4,8%. No entanto, essa estimativa pode ser ajustada devido às flutuações no câmbio e na inflação. A próxima edição desse relatório, que substitui o antigo Relatório de Inflação, está programada para ser divulgada no final de dezembro.
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A visão do mercado, conforme o boletim Focus, uma pesquisa semanal realizada com instituições financeiras, indica uma expectativa de inflação de 4,4% para o final deste ano, ligeiramente acima do teto da meta. Há um mês, as expectativas estavam em 4,55%. Isso mostra um otimismo crescente entre analistas sobre a estabilidade econômica.
Os Efeitos do Crédito Caro na Economia
Embora a elevação da taxa Selic ajude a controlar a inflação, ela também torna o crédito mais caro, o que pode desestimular a produção e o consumo. Esta situação, por sua vez, pode impactar negativamente o crescimento econômico. O último Relatório de Política Monetária também revisou a projeção de crescimento do PIB para 2025, passando de 2,1% para 2%.
No entanto, as previsões do mercado são um pouco mais otimistas. O boletim Focus sugere que a economia poderá crescer 2,25% em 2025. Essa discrepância nas previsões reflete a complexidade do cenário econômico atual e as diferentes expectativas dos analistas.
Impacto da Selic nas Taxas de Juros
A Selic não é apenas um indicador, mas também serve como referência para as taxas de juros praticadas em toda a economia, incluindo negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Quando o Banco Central eleva a taxa, ele busca conter a demanda excessiva que pressiona os preços. Juros mais altos desestimulam o crédito, mas fortalecem a poupança.
Por outro lado, a redução da Selic pode estimular o crédito, incentivando a produção e o consumo. Contudo, essa medida deve ser tomada com cautela, pois pode enfraquecer o controle sobre a inflação. Para um corte na Selic, o Banco Central precisa ter confiança de que a inflação está sob controle e não há risco iminente de alta nos preços.


