A Inspeção do TCU e seu Impacto
Recentemente, o Tribunal de Contas da União (TCU) anunciou uma inspeção no Banco Central (BC), levantando preocupações sobre a venda de ativos do Banco Master, que foi liquidado em novembro do ano passado. O ministro relator do caso, Jhonatan de Jesus, expressou que uma medida cautelar pode ser considerada para proteger os ativos, ressaltando que essa ação visa evitar práticas que possam resultar em consequências irreversíveis. “Diante do risco de prática de atos potencialmente irreversíveis, não se descarta que venha a ser apreciada, em momento oportuno, providência cautelar dirigida ao Banco Central do Brasil”, afirmou.
A cautela é justificada pela necessidade de preservar o valor da massa liquidanda e a utilidade do controle externo. Essa medida, se concretizada, impediria a venda dos ativos do Banco Master, que são essenciais para o pagamento de investidores afetados pela liquidação.
Setor Financeiro Apoia o Banco Central
Uma carta divulgada por representantes do setor financeiro expressa apoio ao Banco Central, defendendo que as decisões técnicas da instituição são fundamentais para a estabilidade do sistema. As regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) asseguram o pagamento para aplicações garantidas até R$ 250 mil, embora a data para esse pagamento ainda não tenha sido revelada. A venda dos ativos do Banco Master, além de cobrir prejuízos não garantidos, é crucial para ressarcir o próprio FGC.
Investigações da Polícia Federal indicam fraudes em transações financeiras que envolvem R$ 12,2 bilhões entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), que desistiu de adquirir o Master devido a um veto do Banco Central.
Questões Legais e Políticas em Jogo
O presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, já havia sinalizado que a inspeção visa verificar documentos relacionados aos questionamentos feitos pelo BC sobre a liquidação do banco. O objetivo é investigar se houve demora por parte do BC na liquidação do Banco Master, embora o enfoque dos questionamentos de Jhonatan de Jesus tenha mudado.
Segundo fontes ouvidas, a probabilidade de reversão da liquidação é baixa, devido a desafios operacionais e políticos. Interlocutores afirmam que a medida cautelar busca proteger os ativos para evitar uma venda rápida, mas não pretende reverter a ação do BC, um movimento sem precedentes na história do TCU. Além disso, qualquer liminar aprovada teria que ser revisada pelo plenário da Corte, onde a probabilidade de aprovação é considerada remota.
Impactos Potenciais sobre o Banco Central
Analistas do mercado já interpretam a decisão do TCU como um indicativo de uma pressão política sem precedentes sobre o Banco Central, o que poderia afetar sua reputação e sua capacidade de gerenciamento. Francisco Costa e Silva, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), argumenta que a atuação do TCU pode “tumultuar o processo”, sugerindo que essa interferência pode inviabilizar a liquidação adequada do Banco Master.
Até o momento, 48 dias se passaram desde a liquidação do banco, e o pagamento pelo FGC ainda não começou, o que representa o maior atraso nos últimos 13 anos desde a liquidação do Banco Rural. O FGC, que deve reembolsar os 1,6 milhão de clientes do Master com um total de R$ 41 bilhões, aguarda a lista do administrador responsável pela liquidação.
Preocupações com a Credibilidade do Sistema Financeiro
Para Sérgio Werlang, ex-diretor de Política Econômica do BC, se a situação não for resolvida, a credibilidade do Banco Central pode ser seriamente afetada. Ele ressalta que tal questionamento poderia desestabilizar a imagem institucional da autoridade monetária, tornando-a vista como incapaz de realizar sua função regulatória.
Conclusão: Desafios à Vista
O TCU enfrenta uma crítica crescente em relação à sua atuação no caso do Banco Master. Especialistas afirmam que a tentativa de interferência supera suas competências regulatórias e pode abrir precedentes preocupantes para o futuro do sistema financeiro brasileiro. A situação se torna ainda mais complexa, pois o bom funcionamento do mercado financeiro depende em grande parte da confiança gerada por instituições como o Banco Central.


