Movimento de Reestruturação na Votorantim
A recente venda da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), anunciada na última quinta-feira, 30, marca mais um passo na transformação do grupo Votorantim, que desde 2018 vem se afastando gradativamente de negócios tradicionais de commodities. Essa mudança de foco visa investir em setores mais promissores, como infraestrutura e energia, refletindo uma estratégia de diversificação e modernização.
O desinvestimento começou com a venda da Votorantim Siderurgia, que atuava na produção de aço, para a ArcelorMittal, um movimento que posicionou a companhia como líder no setor de aços longos no Brasil. No entanto, a operação mais significativa foi a transferência do controle da Fibria, produtora de celulose, para a Suzano. Essa decisão, que gerou controvérsias entre membros da família Votorantim, foi um reflexo da evolução do mercado e das necessidades do grupo, que estava envolvido neste setor desde a década de 1980.
Desafios e Oportunidades no Setor de Commodities
Um dos desafios mais marcantes enfrentados pela Votorantim foi a venda da siderúrgica Paz del Rio, na Colômbia. Adquirida em 2007 por cerca de US$ 600 milhões, a planta apresentava instalações obsoletas que exigiram investimentos significativos para modernização. A conclusão da venda, no entanto, foi efetuada por apenas US$ 20 milhões, além das dívidas acumuladas.
No que diz respeito à CBA, a empresa, que abriu seu capital na B3 em 2021, encontrou dificuldades para se manter competitiva no mercado. A necessidade de um robusto plano de modernização e crescimento se tornou evidente, especialmente considerando as vastas reservas de bauxita no Pará, que poderiam sustentar um projeto de produção de até 18 milhões de toneladas por ano. Contudo, o investimento inicial de R$ 2,5 bilhões para o Projeto Rondon esbarrou na falta de capital disponível, o que levou o grupo a buscar novos parceiros, como a Chalco e a Rio Tinto.
Perspectivas Futuras da Votorantim
Fontes do setor, em conversa com o Estadão, indicam que a estratégia de desinvestimento da Votorantim não deve parar na CBA. Os próximos passos podem incluir a venda da mineradora de zinco e chumbo Nexa Resources, com operações no Brasil e no Peru, assim como a fabricante de aços longos Acerbrag, na Argentina. A Votorantim, no entanto, não considera essas movimentações como inevitáveis.
Em um movimento estratégico para alocar recursos em novos negócios, o grupo também reestruturou sua área de energia, em parceria com o fundo canadense CPP Investments, criando a Auren Energia. Este desdobramento levou à aquisição do controle da AES Energia em 2024, por R$ 13 bilhões, posicionando a empresa como a terceira maior geradora de energia do Brasil, com foco em fontes renováveis.
Investimentos e Expansão em Novos Setores
A Votorantim não se limitou ao setor de energia. Em infraestrutura, a holding Itaúsa fez parceria com a Motiva (ex-CCR) em 2023. Além disso, há um ano, o grupo adquiriu 11% da Hypera, marcando sua presença no segmento farmacêutico. A incursão no mercado imobiliário corporativo também foi notável, com a criação da Altre e investimentos já realizados no Brasil e nos Estados Unidos.
Com uma operação integrada, a CBA, que iniciou suas atividades em 1955, se destacou como a maior fabricante de alumínio do Brasil, com capacidade de produção de 700 mil toneladas anualmente. A companhia é autossuficiente em energia, possuindo um robusto parque de hidrelétricas e investimentos em energia solar e eólica.
Transição de Propriedade e Mercado Internacional
Após a conclusão das aprovações regulatórias, a CBA passará a ser controlada pela Aluminum Corporation of China Limited (Chalco), que detém 67% da empresa. A Rio Tinto também participará do novo controle, consolidando sua posição como uma das principais empresas no setor de mineração global. Com mais de 150 anos de atuação, a Rio Tinto é um gigante na produção de minério de ferro e outros minerais essenciais.
O movimento de aquisição da CBA pelos grupos chineses reflete uma tendência crescente de investimento no Brasil, onde empresas da China têm avançado no setor de mineração. Em um curto espaço de tempo, a CMOC Group Limited e a MMG Limited também realizaram investimentos substanciais em ativos brasileiros, evidenciando o interesse internacional na riqueza mineral do país.


