Preparação para a Reforma Tributária
Os pequenos negócios enfrentam um desafio importante: a necessidade de se prepararem para as mudanças que a Reforma Tributária trará. Com isso, os empreendedores devem decidir qual modelo do Simples Nacional irão adotar, conforme o calendário estabelecido pela nova legislação. É fundamental que sejam realizadas análises detalhadas, garantindo que o planejamento tributário esteja alinhado à realidade da empresa e que não haja surpresas indesejadas.
O planejamento tributário envolve uma avaliação abrangente das operações de compra e venda da companhia, aliando estratégias legais que possibilitem a escolha das opções mais vantajosas. Isso ajuda a evitar o pagamento de tributos desnecessários, um aspecto crucial para a saúde financeira do negócio.
Os empresários devem trabalhar em conjunto com contadores para examinar o perfil de sua clientela. É essencial saber se predominam clientes pessoas jurídicas ou físicas e se atuam no meio ou no fim da cadeia produtiva. Edgard Fernandes, analista de Políticas Públicas do Sebrae Nacional, ressalta que para empresas com maior número de clientes pessoas físicas, a escolha pelo Simples Nacional Integral pode ser mais vantajosa. Já aquelas que atendem principalmente pessoas jurídicas podem se beneficiar do Simples Híbrido, que prevê apuração de IBS e CBS pelo regime geral.
“Além disso, é importante avaliar as aquisições da empresa. Optar por fornecedores que proporcionem menores custos é uma estratégia inteligente”, afirma Edgard.
Pontos de Atenção no Planejamento
Outro ponto crucial é a análise das possibilidades de créditos de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Os empreendedores deverão calcular o valor do imposto a ser pago e os efeitos que isso terá sobre preço e margem de lucro. Comparar essas variáveis entre os diferentes regimes tributários é essencial para garantir a melhor escolha.
A conformidade tributária é um aspecto que não pode ser negligenciado. É fundamental que os códigos corretos de produtos e serviços estejam devidamente registrados nos documentos fiscais, assim como a inclusão de CPF, CNPJ e endereços dos adquirentes. Esses detalhes são essenciais para um correto enquadramento tributário e para a aplicação das alíquotas adequadas.
Edgard Fernandes do Sebrae Nacional reforça a importância dessa conformidade: “Um erro simples pode levar a complicações significativas para o negócio”.
Calendário da Reforma Tributária
O Sebrae elaborou um material que responde às principais dúvidas sobre a Reforma Tributária e seu impacto nos pequenos negócios. A implementação das mudanças será gradual e o cronograma é o seguinte:
- 2026: Início dos testes com alíquotas simbólicas;
- 2027: Cobrança efetiva da CBS, substituindo PIS e Cofins;
- A partir de 2029: O IBS começará a substituir o ICMS e o ISS;
- 2033: Transição completa, com a extinção total dos impostos antigos.
Para os pequenos negócios, o Simples Nacional permanecerá, mas com uma nova opção: as empresas poderão optar por recolher IBS e CBS utilizando as tabelas do Simples ou pelo regime regular. O Microempreendedor Individual (MEI) não sofrerá alterações, continuando com seus valores fixos mensais.
Entenda a Reforma Tributária
A Reforma Tributária visa substituir cinco tributos (ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI) por dois novos impostos: o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS). O propósito é simplificar a tributação, reduzir a burocracia e tornar o sistema fiscal mais transparente, sem aumentar a carga tributária geral.
O IBS será de competência estadual e municipal, substituindo o ICMS e o ISS, enquanto a CBS será federal, substituindo PIS, Cofins e parte do IPI. Juntos, esses tributos irão compor o IVA (Imposto sobre Valor Agregado), seguindo o modelo utilizado em mais de 170 países ao redor do mundo.


