Desafios e Soluções na Gestão da Calmy
Ter um negócio em expansão não é sinônimo de sucesso garantido. A Calmy, uma clínica multidisciplinar de desenvolvimento infantil, criada há dois anos por Alexandra Vaz e Caio Cruz na zona sul de São Paulo, é um exemplo claro disso. Apesar de atender dezenas de famílias e estar em um momento de crescimento, a clínica enfrenta desafios na manutenção da consistência dos resultados.
A principal questão está relacionada à gestão. Durante um episódio do reality show Choque de Gestão, da EXAME, com apoio do Santander Empresas e Claro Empresas, o mentor José Carlos Semenzato, fundador da holding SMZTO, que reúne 18 marcas e mais de 4.800 unidades, destacou a necessidade de controle financeiro. “Você como gestor precisa ter esses números na ponta da língua”, enfatizou Semenzato.
Crescimento sem Planejamento Estratégico
A Calmy surgiu da experiência de Alexandra como psicóloga infantil e da vivência do casal com o diagnóstico do filho de Caio. A clínica adota um modelo de terapias contínuas que se estendem por meses ou até anos, mas recorre à venda de sessões avulsas, o que gera um gargalo importante. Isso resultou em uma receita que oscila ao longo do mês, afetada por faltas, cancelamentos e sazonalidades.
A instabilidade financeira se torna evidente no fluxo de caixa, que apresenta períodos positivos seguidos de dificuldades. A inadimplência, por sua vez, limita o planejamento e impede um crescimento consistente. Os preços cobrados, embora alinhados às referências do mercado, não consideram a estrutura de custos da clínica, refletindo em margens abaixo do esperado para o setor.
Rumo à Previsibilidade Financeira
Para enfrentar esses desafios, Semenzato sugere que a clínica revise seus preços e alinhe suas estratégias com as necessidades do público atendido, criando assim um retorno financeiro mais compatível com a operação. Além disso, destaca a importância de uma organização financeira e operacional adequada. Os fundadores admitiram enfrentar dificuldades para distinguir entre custos fixos e variáveis, e a maior parte do controle é feita em planilhas, o que limita a eficiência.
“Não dá mais para gerir empresa no papel ou no Excel”, advertiu Semenzato, recomendando a adoção de um sistema que integre CRM com indicadores organizacionais, permitindo um acompanhamento mais estruturado dos clientes e das receitas. A revisão do modelo comercial também é uma estratégia vital. Semenzato propõe a substituição da venda avulsa por planos de assinatura, que proporcionariam receitas mais previsíveis e estabilidade financeira.
Transformando Profissionais em Sócios
Outro ponto crítico identificado na clínica é a gestão da equipe. Com aproximadamente 15 profissionais, a Calmy enfrentou uma alta rotatividade no último ano, resultando em situações onde as famílias mudaram seus terapeutas ao deixar a clínica. Semenzato sugere uma abordagem inovadora para retenção de talentos: transformar profissionais estratégicos em sócios do negócio, uma estratégia que visa fortalecer o vínculo entre os colaboradores e a empresa.
“Quando o profissional vira sócio, ele pensa no longo prazo”, afirmou Semenzato, ressaltando que essa mudança de paradigma pode não apenas reduzir a rotatividade, mas também aumentar o comprometimento e a qualidade do serviço prestado.
Para seguir em frente e garantir um futuro próspero, a Calmy precisa adotar essas práticas de gestão de forma eficaz. O foco em resultados financeiros, o controle de custos e a valorização dos profissionais são caminhos fundamentais para uma operação mais saudável e sustentável.


