Reconhecimento da Trajetória de uma Pioneira
O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (13) o projeto de lei que inclui o nome da nadadora Maria Lenk no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A aprovação ocorreu na Comissão de Esporte do Senado (CEsp) e, por se tratar de uma decisão terminativa, o texto não precisará ser votado no Plenário, seguindo diretamente para análise na Câmara dos Deputados, exceto se houver apresentação de recurso.
A proposta de homenagem foi apresentada pela presidente da CEsp, senadora Leila Barros (PDT-DF), e contou com o parecer favorável da senadora Mara Gabrilli (PSD-SP). Essa iniciativa ressalta a importância de Maria Lenk, uma atleta que fez história na natação e na luta pela presença feminina no esporte.
O Legado de Maria Lenk
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Maria Emma Hulda Lenk Zigler nasceu em São Paulo em 1915 e faleceu no Rio de Janeiro em 2007. Mara Gabrilli destacou em seu parecer que Maria Lenk foi a primeira mulher sul-americana a competir nos Jogos Olímpicos, participando da edição de 1932 em Los Angeles. Naquele tempo, a presença feminina em esportes competitivos ainda enfrentava grandes dificuldades sociais e culturais.
Em 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim, Maria Lenk inovou ao executar a recuperação dos braços por fora da água em uma prova de nado peito, um movimento que, mais tarde, contribuiu para a criação do estilo borboleta, atualmente reconhecido como uma categoria olímpica independente. Sua habilidade a levou a quebrar recordes mundiais em 1939, sendo a primeira atleta brasileira a conseguir tal feito, superando inclusive o recorde masculino da época nos 200 metros peito.
Um Legado que Transcende Medalhas
A carreira de Maria Lenk sofreu um impacto significativo durante a Segunda Guerra Mundial, que resultou na interrupção dos Jogos Olímpicos de 1940 e 1944. Contudo, Leila Barros enfatizou que a ausência de uma medalha olímpica não diminui o valor de sua trajetória, que deve ser lembrada pela coragem de desafiar preconceitos e por abrir caminhos para futuras gerações no esporte brasileiro.
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Após a aposentadoria, Maria Lenk permaneceu ativa no mundo esportivo, tornando-se professora e cofundadora da Faculdade de Educação Física da Universidade do Brasil, hoje conhecida como Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, ela foi a primeira mulher a dirigir a Escola de Educação Física da UFRJ. Sua ligação com o esporte continuou nas competições masters, onde acumulou recordes e medalhas, sendo responsável por 40 recordes mundiais nessa categoria e ganhando cinco medalhas no Campeonato Mundial de Munique, em 2000.
Reconhecimento Internacional
Maria Lenk também teve sua importância reconhecida internacionalmente. Em 1988, ela se tornou a primeira brasileira a ser integrante do International Swimming Hall of Fame. Em reconhecimento a sua trajetória, em 2022, foi proclamada Patrona da Natação Brasileira pela Lei 14.418.
A Importância da Homenagem
Leila Barros defendeu a inclusão de Maria Lenk no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria como uma forma de eternizar seu legado. A senadora destacou que “é momento de celebrar o nome de Maria Lenk como um símbolo para as futuras gerações”. Ela ainda comentou sobre a trajetória da atleta, que dedicou sua vida ao esporte, encerrando sua história de forma simbólica, faleceu enquanto treinava em uma piscina aos 92 anos.
Da mesma forma, Mara Gabrilli ressaltou que a homenagem reconhece a contribuição de Maria Lenk ao esporte, à educação e à luta pela presença feminina em uma área marcada por desafios. O projeto aprovado pela CEsp consagra a memória de uma brasileira que não apenas desafiou os padrões de seu tempo, mas também projetou o Brasil no cenário internacional.
O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, onde o nome de Maria Lenk será gravado, está localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.


