Um debate sobre o futuro do audiovisual gaúcho
A secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Joelma Gonzaga, enfatizou os Arranjos Regionais como a principal ferramenta de coinvestimento para aumentar os recursos destinados ao setor audiovisual no Rio Grande do Sul. A declaração ocorreu durante um encontro realizado na última sexta-feira (27) em Porto Alegre. O modelo proposto deve destinar R$ 24,5 milhões ao estado, um passo significativo para o fortalecimento da indústria local.
“Essa política tem um papel crucial em fortalecer diversas cenas do audiovisual no Brasil. Quando assumi a Secretaria, uma das minhas prioridades foi retomar essa política. Realizamos estudos sobre os impactos dessas iniciativas em diferentes regiões, que comprovaram a eficácia e a necessidade dessa abordagem. Tivemos também a preocupação de avaliar o que não deu certo anteriormente, buscando aprimorar o modelo atual. É assim que se constrói uma política pública eficaz”, destacou Joelma.
O evento, realizado na Cinemateca Paulo Amorim, fez parte da programação do Dia do Cinema Gaúcho e reuniu uma ampla gama de profissionais, gestores e representantes do setor, todos focados em discutir investimentos, ações estruturantes e iniciativas em andamento. Organizado pelo Instituto Estadual de Cinema (Iecine), em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac) e o MinC, o encontro destacou a colaboração entre os níveis federal e estadual para o avanço do audiovisual.
A Cinemateca ficou repleta com mais de 60 representantes do setor, incluindo entidades como a Fundação Cinema RS (Fundacine), o Sindicato da Indústria do Audiovisual do Rio Grande do Sul (Ciave) e a Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul (APTC). Durante o encontro, contribuições valiosas foram feitas sobre critérios, interiorização e ações afirmativas nas políticas públicas.
Comemorações e desafios no audiovisual
Entre os participantes do debate, estavam a coordenadora do Iecine, Sofia Ferreira, a vice-presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Sofia Cavedon, e a coordenadora do Escritório do MinC no estado, Mariana Martinez. Em um momento de celebração, foi apresentada a marca comemorativa dos 40 anos do Instituto Estadual de Cinema, uma referência ao trabalho contínuo em prol da produção, formação e difusão do audiovisual no estado.
Os Arranjos Regionais são estratégias que visam reunir recursos do Governo Federal, estados e municípios para fortalecer o audiovisual em todo o Brasil. No total, a iniciativa deve mobilizar mais de R$ 630 milhões em investimentos, sendo R$ 24,5 milhões especificamente para o Rio Grande do Sul, provenientes do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e recursos locais.
A maior parte dos recursos será destinada à produção de longas-metragens, mas o modelo também prevê apoio para distribuição, desenvolvimento de projetos, difusão de obras, preservação, cineclubes e jogos eletrônicos.
Assistência a situações de emergência
Outro tópico discutido no encontro foi a linha de Projetos Especiais do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), voltada para situações específicas e emergenciais. Durante a reunião, foi apresentada uma síntese dos impactos das enchentes de maio de 2024, que afetaram o setor audiovisual no estado, reforçando a urgência de medidas específicas de apoio.
Para o Rio Grande do Sul, foi autorizado um aporte de R$ 30 milhões pelo FSA, que será operacionalizado pelo MinC. Com a contrapartida do governo estadual, o montante total pode alcançar R$ 37,7 milhões, um investimento significativo frente às dificuldades recentes enfrentadas pelo setor.
“Esse olhar atento para o investimento e a reconstrução de uma indústria tão relevante para o Rio Grande do Sul, que possui um potencial fílmico e criativo imenso, é motivo de celebração e também de labor contínuo. É essencial garantir que esses recursos cheguem às produtoras e possibilitem a reestruturação do setor”, afirmou Sofia Ferreira.
Perspectivas de investimento e editais futuros
As prioridades de investimento estão sendo definidas em diálogo com agentes e instituições locais. “Criar uma linha especial para o Rio Grande do Sul é não apenas oportuno, mas necessário. O setor está se recuperando de uma crise profunda que impactou suas operações. Medidas robustas são essenciais para assegurar a continuidade do audiovisual gaúcho em uma agenda pública prioritária”, concluiu Aleteia Selonk, do Conselho Superior de Cinema.
O encontro também se deu em um momento crucial de elaboração e definição das próximas chamadas públicas do Iecine, com previsões de editais que somarão cerca de R$ 62 milhões, unindo recursos estaduais e federais. A expectativa é que essa iniciativa amplie o acesso aos fundos, fortaleça a produção regional e contribua para o desenvolvimento do audiovisual no estado.
Além das linhas de investimento, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV), através da Diretoria de Preservação e Difusão Audiovisual (DPDA), vem promovendo iniciativas focadas na preservação e no acesso ao patrimônio audiovisual. No escopo do Programa de Preservação do Audiovisual Brasileiro, a Cinemateca Capitólio e o Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa agora fazem parte da Rede Nacional de Arquivos Audiovisuais. A instituição foi selecionada para o projeto-piloto do Inventário Nacional de Bens Culturais Audiovisuais, em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Adicionalmente, foi realizado um mapeamento da Rede de Salas Públicas de Cinema, que identificou 31 salas potenciais no estado. Com isso, o Rio Grande do Sul ocupa a quinta posição no ranking nacional, concentrando cerca de 8% das mais de 400 salas públicas mapeadas no país. As ações incluem também a presença de mais de 20 obras gaúchas no catálogo inicial da plataforma pública de streaming Tela Brasil, que está em fase de implementação e faz parte da estratégia do MinC para ampliar o acesso do público às produções brasileiras e fortalecer a circulação do audiovisual nacional.


