Transformação Através da Escalada
Em 2012, a vida de um empresário estava à beira do colapso. Ele dependia de medicamentos para conseguir dormir e para se manter alerta durante o dia. O uso de comprimidos populares entre executivos era apenas uma parte de sua rotina caótica. Acabou contratando um médico, que se revelou pai de uma amiga de sua filha. Esse profissional de saúde fez um diagnóstico que, na época, ainda era relativamente novo no Brasil: a Síndrome de Burnout. O empresário, que atuava como sócio em uma empresa de tecnologia, percebeu que sua saúde mental estava sendo sequestrada pelo trabalho e pela pressão de seu ambiente, mesmo gostando do que fazia. Sua trajetória, relatada no livro “Escalando sonhos: O que senti no topo do mundo” (Ed. Vestígio), não é um conto romântico, mas um relato genuíno sobre a luta contra a doença.
O ponto de virada ocorreu após um desmaio impactante no trânsito, que poderia ter trazido consequências graves. Ele reflete sobre como teve sorte ao não enfrentar problemas mais sérios, como um AVC ou infarto, que poderiam ter marcado sua vida de maneira distinta. Durante o período que antecedeu sua crise, já havia enfrentado sintomas de ansiedade e taquicardia, levando-o a medir a pressão arterial a cada quinzena. Momentos de crise, como estes, são frequentemente catalisadores de mudanças profundas na vida das pessoas. Para ele, a mudança foi inevitável: muitos abandonam hábitos prejudiciais como fumar e beber após situações de risco.
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“É como pegar o guidão da bicicleta e mudar a direção antes de bater em uma parede”, afirma ele, descrevendo o impulso que muitos sentem ao buscar um novo rumo após uma experiência transformadora. Entre 2012 e 2013, o empresário teve a sorte de não ser excessivamente bombardeado pelas redes sociais, o que, segundo ele, poderia ter dificultado ainda mais sua recuperação. Em um mundo onde os estímulos digitais estão cada vez mais presentes, ele conseguiu se afastar desse ambiente tóxico e reestruturar sua vida.
A primeira decisão foi desligar-se do mundo digital. Em seguida, ele buscou amizades que o conduzissem a ambientes naturais. “Eles me incentivaram a ir aos Himalaias, a conhecer o Annapurna e o Campo Base do Everest, até mesmo Machu Picchu”, conta. Essa mudança de rota não só ajudou a sua saúde mental, mas também proporcionou uma nova perspectiva sobre a vida. Para dar início à sua recuperação, ele decidiu adotar hábitos mais saudáveis, como eliminar açúcar e refrigerantes de sua dieta. Essa mudança radical teve um impacto significativo em seu corpo, afetando até mesmo sua percepção de cheiros.
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A experiência de escalar montanhas não foi apenas uma atividade física; tornou-se um símbolo de superação. O empresário ressalta a importância de se reconectar com a natureza e com si mesmo. Essas montanhas, que antes pareciam tão distantes, passaram a representar não apenas desafios físicos, mas também emocionais. A jornada de escalar não é apenas sobre atingir o pico, mas também sobre as lições aprendidas ao longo do caminho e como cada passo pode definir novos rumos em nossa vida. Ele continua a compartilhar sua história, na esperança de inspirar outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes.
A mensagem é clara: a natureza tem o poder de curar. E ao se distanciar do digital e se reaproximar do que realmente importa, é possível recuperar a saúde mental e o equilíbrio desejados. O relato deste empresário serve como um alerta sobre os perigos do burnout e a importância de buscar ajuda e novas experiências para reencontrar o caminho da felicidade.


