Servidores da educação da rede municipal de São Paulo realizam um ato em frente à Prefeitura de São Paulo nesta sexta-feira (15), às 11h, em continuidade à greve iniciada em 28 de abril. A mobilização foi convocada após a Câmara Municipal aprovar, na noite de quarta-feira (13), o projeto do prefeito Ricardo Nunes, que prevê um reajuste salarial de 3,51% parcelado em dois anos para os servidores públicos municipais.
Aprovação do Reajuste
O projeto foi aprovado em segunda votação com 35 votos a favor e 16 contra, após um dia de mobilizações da categoria. Os trabalhadores começaram com uma assembleia em frente à prefeitura, seguiram em caminhada até a Câmara Municipal e, por fim, participaram de um ato conjunto com estudantes na avenida Paulista.
Reivindicações da Categoria
Contrários à proposta da prefeitura, os profissionais da educação decidiram manter a greve. A categoria reivindica um reajuste de ao menos 5,4%, além de um aumento real de 10% e a incorporação de abonos complementares. A gestão municipal, por sua vez, impôs 2% de reajuste neste ano e 1,51% em 2027.
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Falta de Diálogo e Condições de Trabalho
Em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Donizete Fernandes, vice-presidente do Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem), afirmou que a gestão Nunes tem conduzido as negociações sem diálogo com a categoria. Ele ressaltou que a continuidade da greve não se resume apenas a questões salariais. Ela também envolve condições de trabalho inadequadas que afetam a rede municipal.
Os sindicatos afirmam que a greve também denuncia o agravamento das condições de trabalho, como salas superlotadas, falta de ventilação, necessidade de reformas, déficit de profissionais e problemas de inclusão escolar. “A Secretaria Municipal de Educação e o secretário municipal de Educação, Fernando Padula, sequer mencionaram essas condições de trabalho no projeto aprovado na Câmara. E nós continuamos em greve porque também queremos discutir e avançar nas melhorias das condições de trabalho”, avaliou Donizete.
Posição da Gestão Municipal
A gestão de Ricardo Nunes defendeu o reajuste aprovado pela Câmara e afirmou que a proposta abrange 64 mil profissionais da educação. Em nota, a Secretaria Municipal de Educação ameaçou que os servidores que aderiram à greve poderão ter os dias descontados caso as faltas não sejam justificadas até esta sexta-feira (15).
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Fonte: soudebh.com.br
Críticas à Política Educacional
Donizete Fernandes criticou a maneira como Nunes tem lidado com a educação, associando-a a uma política de desmonte do sistema público. Ele destacou que a gestão atual não tem atendido às necessidades das 1,6 mil escolas da rede municipal, que enfrentam problemas de infraestrutura inadequada e falta de recursos.
O Sinpeem, em nota, afirmou que a continuidade da paralisação é uma resposta “às maldades do prefeito Nunes” contra os profissionais da educação e ao “colapso da educação na maior cidade do país”. A entidade também criticou dispositivos do projeto que, segundo os sindicatos, ampliam a terceirização na rede municipal.
Reunião das Entidades Sindicais
A Coordenação das Entidades Sindicais Específicas da Educação Municipal (Coeduc), que inclui o Sinpeem, Sedin e Sinesp, classificou a proposta da prefeitura como “insuficiente e desrespeitosa”. Durante uma audiência pública realizada antes da votação, as entidades apresentaram um substitutivo que previa a reposição integral da inflação, um aumento real de 10% e medidas voltadas à saúde, infraestrutura e valorização profissional.


