Apenas um Consórcio se Candidata
O único consórcio que manifestou interesse na licitação para os túneis de Sena Madureira inclui a mesma empresa que estava à frente do projeto antes da paralisação das obras, ocorrida no ano passado. A prefeitura local esclareceu que essa empresa não está impedida de participar de novos processos licitatórios.
Antes do lançamento da nova licitação, a administração municipal promoveu audiências públicas, contando com a participação de mais de 500 moradores da comunidade, além de uma consulta pública na plataforma municipal Participe+. Essa iniciativa visou dar transparência e permitir que a população se manifestasse sobre o projeto.
Conforme informações da Prefeitura, a fase de habilitação das empresas acontecerá somente após a análise e a avaliação das propostas técnicas e comerciais, seguindo todos os ritos previstos pela legislação atual. As datas das próximas reuniões serão divulgadas no Diário Oficial do Município, mantendo os cidadãos informados sobre o andamento do processo.
Impactos nas Comunidades Locais
Enquanto isso, os moradores da comunidade Coronel Luís Alves, que está diretamente afetada pela obra, continuam enfrentando os efeitos das chuvas intensas que ocorreram em dezembro e início de janeiro. Relatos de alagamentos na área foram registrados, e vídeos mostram a força das águas causando sérios danos materiais.
Os residentes afirmam que os episódios de alagamento se tornaram mais frequentes desde o início das obras. Se o projeto dos túneis avançar, essa comunidade, junto com outra, poderá ser deslocada de suas residências, gerando ainda mais apreensão entre os cidadãos.
O objetivo deste empreendimento é melhorar o acesso da Rua Sena Madureira à Avenida Ricardo Jafet. O projeto original previa a construção de dois túneis, com uma extensão total de aproximadamente 1,6 quilômetro. Um túnel seria construído da Rua Botucatu até a Rua Mairinque, enquanto o outro seguiria sob a Rua Domingos de Morais até a Rua Embuaçu, próximo da Avenida Ricardo Jafet. Segundo a prefeitura, a obra pode beneficiar cerca de 800 mil pessoas diariamente.
Interrupção das Obras e Novas Concorrências
As obras tiveram início, mas foram interrompidas pela prefeitura, que decidiu não continuar um contrato da gestão anterior, alvo de investigações. O Ministério Público apontou que a construtora Queiroz Galvão teria realizado pagamentos de propina para conquistar a licitação em 2010. Atendendo a uma recomendação do MP, o prefeito Ricardo Nunes optou por abrir uma nova concorrência.
No novo processo licitatório, apenas o consórcio liderado pela Álya Construtora apresentou proposta. Esta empresa sucedeu a Queiroz Galvão após uma mudança de nome e agora tem a responsabilidade de apresentar um novo plano para a obra. A proposta ainda passará por uma análise rigorosa dos órgãos técnicos da prefeitura, que também avaliarão os impactos ambientais do projeto.
Desafios Ambientais e Históricos
A partir de 2022, a prefeitura passou a reconhecer a região como área propensa a inundações. Especialistas têm alertado para o fato de que intervenções no solo, como o desmatamento, podem ter contribuído para a severidade das inundações. Em 2024, uma vistoria da prefeitura e representantes da construtora responsável pela obra indicou que o local não é classificado como Área de Preservação Permanente e não foram encontradas nascentes na área.
No entanto, levantamentos anteriores da própria prefeitura mostraram que há um curso d’água na região. Um mapa do Arquivo Municipal, datado de 1930, registra a presença do córrego Embuaçu na área. Em 2019, após um deslizamento de terra, uma vistoria da Subprefeitura da Vila Mariana confirmou que a zona era de proteção ambiental, com a presença de um grande vale e uma nascente.


