A Nova Abordagem da Amazon para a Alexa
A Amazon está determinada a fazer da Alexa uma assistente de voz que não apenas compreenda quem é o usuário, mas que também se lembre de detalhes importantes sobre sua vida, quase como um amigo íntimo ou um familiar faria. Essa visão foi compartilhada por executivos da empresa em entrevistas durante a CES, a feira anual de eletrônicos que ocorreu em Las Vegas na semana passada.
O objetivo é reviver o entusiasmo que cercou o lançamento original da Alexa em 2014, quando a assistente de voz foi recebida como uma inovação revolucionária para o lar. Desde então, a popularidade da Alexa ajudou a impulsionar o uso de assistentes de voz, mas a chegada do ChatGPT, em 2022, trouxe novos desafios ao cenário da inteligência artificial. A Amazon, pega de surpresa pela rápida evolução da tecnologia, reformulou sua estratégia nos últimos anos para recuperar seu espaço.
Com a recente introdução da Alexa+ em 2025, a empresa busca demonstrar que sua assistente de voz não é a mesma daquela do passado. De acordo com Panos Panay, chefe de dispositivos e serviços da Amazon, o que realmente transforma a experiência do usuário é o contexto em que os dispositivos operam. “Existem dezenas de milhões de pessoas que desejam ligar suas cafeteiras usando a Alexa, o que é ótimo, mas isso por si só não muda o mundo”, destacou Panay, enfatizando a necessidade de um contexto mais profundo no uso da tecnologia.
Um Novo Caminho para a Alexa+
A Alexa+ representa uma oportunidade crucial para a Amazon, especialmente considerando que a inteligência artificial é vista como a próxima grande plataforma de computação. A empresa já teve dificuldades no setor móvel, onde perdeu espaço para Google e Apple, e agora se esforça para não repetir essa trajetória com sua assistente virtual.
O novo site Alexa.com, lançado recentemente, espelha as inovações trazidas por empresas como OpenAI e a startup de IA Perplexity, que buscam integrar seus chatbots ao cotidiano dos usuários. Agora, quem se inscrever para o acesso antecipado ao Alexa+ poderá interagir com a assistente online e continuar essas conversas em dispositivos como o Echo e o aplicativo da Alexa.
Entretanto, Panay afirma que a Amazon não está focada em competir pelo título de modelo de IA mais avançado. O objetivo é criar produtos que realmente utilizem a IA no mundo real, aproveitando o contexto oferecido pelos serviços da Amazon.
Essa abordagem é semelhante à da Apple, que também anunciou uma atualização para a Siri, que será parcialmente baseada nos modelos Gemini do Google. A nova versão da Siri está prevista para 2024 e ainda não foi lançada.
Exemplos que Dão um Voto de Confiança à Nova Alexa
Panos Panay compartilhou exemplos práticos que diferenciam a Alexa dos concorrentes. Ao mencionar que precisava de uma nova coleira para seu cachorro, a assistente já tinha opções disponíveis em seu dispositivo Echo Show, prontas para serem acessadas assim que ele retornasse de um passeio. Em outro momento, quando sua família estava indecisa sobre onde jantar, Panay perguntou à Alexa sobre os cinco melhores restaurantes que visitaram na última vez. A assistente não só listou as opções como fez sugestões de reservas.
Comparativamente, o Google e a OpenAI também estão desenvolvendo tecnologias que lembram interações anteriores, com o Google afirmando que sua IA pode auxiliar em tarefas como reservas de restaurantes e compras em lojas. No entanto, Panay insiste que a Alexa se destaca por ser mais pessoal, prometendo que a memória da assistente, aliada à sua capacidade de executar tarefas no mundo real, a tornará preferida pelos usuários.
Desafios e o Futuro da Alexa
A Amazon revelou que o Alexa+ já está gerando um aumento significativo no engajamento, com usuários participando de duas vezes mais interações do que antes. “Quando começamos a receber feedback, percebemos que era positivo”, comentou Panay. “A Alexa sabe muito. Quanto mais ela souber sobre mim, melhor será a interação.”
No entanto, para que a Alexa se torne uma ferramenta indispensável, ela precisa ir além de simples compras e recomendações. Isso implica também em transformar a percepção dos consumidores sobre o que a assistente pode fazer, ampliando seu uso além dos dispositivos Echo.
Estudos recentes da Consumer Intelligence Research Partners indicam que, mesmo anos após o lançamento do Echo, muitos usuários ainda o utilizam principalmente para ouvir música. A integração da Alexa com o novo site da Amazon pode ser um passo essencial para ampliá-la em outras frentes, como planejamento de viagens e trabalho, áreas nas quais o ChatGPT já se destacou.
Inovações Futuras e Integração com o Cotidiano
O foco de 2024 da Amazon será tornar a Alexa mais útil fora do ambiente doméstico, conforme relatado por Daniel Rausch, vice-presidente de Alexa e Echo. Ele também mencionou que a empresa continuará aprimorando os Echo Frames, os óculos inteligentes com Alexa, que foram lançados em 2019.
A aquisição da Bee, uma empresa desenvolvedora de pulseiras que registram interações e oferecem feedback sobre conversas, é um indicativo do futuro da Amazon com a Alexa. A ideia é integrar esses recursos à assistente, conforme Rausch destacou, com um olhar voltado para 2026.
Embora essa não seja uma novidade total para a Amazon, já que ela havia lançado a pulseira Halo em 2020, que monitorava conversas e analisava tons emocionais, o dispositivo foi descontinuado devido a preocupações com a privacidade. Em resposta a questionamentos sobre privacidade, Panay ressalta que a empresa oferece alternativas aos usuários, como a possibilidade de gerenciar por quanto tempo a Alexa armazena gravações. Ele acredita que, se o produto for suficientemente útil, a percepção do público sobre privacidade pode mudar. “Quando você oferece aos clientes algo que amam e que melhora suas vidas, a narrativa muda rapidamente,” finalizou.


