Mudanças que Transformam a Dinâmica do Mercado Livre
O Mercado Livre, uma das maiores plataformas de e-commerce da América Latina, anunciou recentemente a demissão de 119 funcionários em uma reestruturação focada na área de experiência do usuário (UX), impulsionada pela crescente adoção de ferramentas de inteligência artificial. Dentre os desligamentos, 38 ocorreram no Brasil, com a maioria afetando profissionais conhecidos como UX writers, responsáveis pela elaboração de textos em interfaces da plataforma. A reestruturação, realizada na quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, visa integrar design e conteúdo, criando estruturas mais ágeis e eficientes, conforme destacou a empresa em nota oficial enviada ao Infomoney.
A equipe de UX foi a mais impactada, especialmente com o aumento da utilização de IA na produção de textos e microcopy. Funcionários que permanecem na empresa relataram à Folha de S.Paulo que agora contarão com novos recursos de IA, permitindo que designers assumam tarefas de redação com o suporte da tecnologia. É interessante destacar que o Mercado Livre já utiliza inteligência artificial há mais de dez anos em áreas como detecção de fraudes e recomendações. Porém, em 2025, houve um aumento significativo na aplicação de IA na área de UX, exigindo documentação detalhada e métricas de uso que são monitoradas por gestores.
A empresa confirmou oficialmente os 38 desligamentos no Brasil e classificou a medida como pontual. Em comunicado, afirmaram: “Estamos evoluindo os perfis de Experiência do Usuário para integrar de forma mais eficaz as áreas de Design e Conteúdo. Essa transformação busca fomentar estruturas mais ágeis e colaborativas, aproveitando a tecnologia para continuar melhorando a experiência de nossos usuários.” A companhia também ressaltou que esse processo não deve afetar o crescimento da operação no Brasil nem na região.
Atualmente, o Mercado Livre emprega cerca de 55 mil pessoas no Brasil e aproximadamente 120 mil na América Latina. Em 2025, foram criadas 42 mil novas vagas na região, abrangendo diversas áreas. Esta reestruturação ocorre após a saída de Marcos Galperin, fundador e ex-CEO, que anunciou, ao deixar o cargo no ano passado, que a empresa se concentraria em projetos de IA. Relatos de três funcionários anônimos à Folha indicam que a evolução dos perfis na área de UX está levando a uma maior convergência entre design e redação, agora fortalecidos pela IA.
Essa movimentação reflete uma tendência global crescente de integração da inteligência artificial nas operações de e-commerce. Plataformas como o Mercado Livre estão em busca de aumentar a eficiência em UX para se manter competitivas em um mercado cada vez mais saturado. Os cortes estão concentrados em funções de texto que são consideradas repetitivas, enquanto as funções criativas e analíticas estão se beneficiando com a automatização. Além disso, as empresas do setor têm monitorado de perto as métricas de produtividade após a adoção da IA, visando realizar ajustes futuros.
No Brasil, o Mercado Livre continua a sua trajetória de expansão, focando especialmente em logística e pagamentos digitais. A nota oficial da empresa reforça o compromisso com a contratação nas áreas estratégicas. A gestão agora acompanha de perto o uso de IA pela equipe, medindo os impactos nas entregas e resultados. Estima-se que a transição para perfis híbridos pode permitir uma redução de até 20% nos custos operacionais na área de UX, conforme benchmarks do setor.
As demissões foram comunicadas em reuniões de última hora, causando surpresa entre os colaboradores. Os profissionais que foram desligados atuavam na produção de textos para aplicativos e sites. Aqueles que permaneceram na empresa estão recebendo treinamento em IA generativa para aprimorar suas habilidades na redação de conteúdos. O Mercado Livre planeja avaliar os ganhos em termos de velocidade de iterações de UX nos próximos trimestres, sinalizando um olhar atento para o futuro e as inovações que estão por vir.


