Uma Inovação no Transporte Público
A Prefeitura de São Paulo deu um passo importante nesta semana ao lançar um projeto-piloto que permite o pagamento por aproximação via Bluetooth em 2,2 mil ônibus e 296 linhas de transporte público. Essa iniciativa, idealizada pela Primova em parceria com o aplicativo Cittamobi e integrada pela Prodata, foi implementada pela SPTrans. Segundo os criadores, o uso da tecnologia Bluetooth se destaca por ser mais inclusivo do que o NFC tradicional, uma vez que é acessível a uma gama maior de dispositivos.
“Praticamente todo celular, independente do modelo ou das especificações, possui Bluetooth. Dessa forma, conseguimos atingir um número significativo de usuários do transporte público. Ao falarmos de NFC, nem todos os aparelhos têm essa funcionalidade”, apontou Emanuele Cassimiro, CPO da Cittamobi. Ela destacou que a meta principal é facilitar o deslocamento dos cidadãos, buscando sempre tecnologias que promovam inclusão e acessibilidade no sistema de transporte.
Funcionalidades do Cittamobi
Por meio do aplicativo Cittamobi, disponível nas versões Android e iOS, os usuários podem acessar a área Primova Pay para adquirir bilhetes de ônibus utilizando apenas o Pix. Após a compra, é simples: o usuário abre o app, seleciona sua passagem na seção ‘suas passagens’ e aproxima o celular com o Bluetooth ativo para liberar a catraca do ônibus. Além de bilhetes avulsos, a plataforma oferece pacotes de viagens diários, semanais e mensais. O sistema também é capaz de operar na nuvem, permitindo a atualização em tempo real das regras tarifárias. Caso a prefeitura precise abrir as catracas de forma excepcional, essa ação pode ser realizada instantaneamente pela nuvem.
O desenvolvimento dessa tecnologia começou em 2024 em parceria com a Prodata. O Primova Pay, por sua vez, conta com medidas de segurança robustas, como criptografia assimétrica e assinaturas digitais, que asseguram a integridade das passagens dos usuários. Cassimiro ressaltou que, apesar de a implementação inicial abranger 2,2 mil ônibus, o sistema da Prodata já está preparado para suportar pagamentos via Bluetooth em todos os 13 mil ônibus que operam na cidade, atendendo cerca de 7 milhões de usuários diariamente. No entanto, a instalação será feita de maneira gradual, conforme a avaliação da SPTrans.
Histórico e Validação do Sistema
O Cittamobi, que já opera desde 2013 em mais de 350 cidades do Brasil, também oferece informações úteis para os usuários sobre o transporte público. Para Ricardo Werneck, head de inovação na Primova, o uso do Bluetooth Low Energy (BLE) é um grande diferencial, uma vez que essa tecnologia é presente em todos os dispositivos com sistemas operacionais do Google e Apple desde 2009, e tem evoluído constantemente. Com isso, a Primova conseguiu replicar a funcionalidade do NFC de maneira acessível.
O sistema de pagamento via Bluetooth foi idealizado em 2019 e passou por testes em Sorocaba, cidade do interior paulista, onde a solução está em operação até hoje. A experiência adquirida na cidade permitiu à Primova entender melhor as necessidades dos usuários, que demonstraram preferência pelo pagamento via Pix em vez de cartões de crédito ou débito.
Expansão e Futuro da Tecnologia
Graças à sua natureza acessível e abrangente, a tecnologia de pagamento via Bluetooth abre portas para diversas possibilidades de expansão, tanto em termos técnicos quanto comerciais. Werneck enfatizou que a Primova planeja não depender de um único parceiro, e que as bases do sistema estão prontas e modularizadas, facilitando a integração com outras carteiras digitais, aplicativos e sistemas de bilhetagem.
Além disso, Cassimiro mencionou diferentes modelos de negócios que podem ser desenvolvidos, incluindo: pagamentos baseados no tempo de uso do ônibus, tarifas por trajeto percorrido e cobranças por zona de serviço. A Primova também possui a ambição de expandir o uso do pagamento via Bluetooth para outros meios de transporte, como metrôs, trens e até estacionamento em áreas públicas, como a Zona Azul.
No entanto, o projeto enfrenta alguns desafios. Um dos principais é a regulamentação do pagamento por aproximação via Pix, que atualmente é restrito ao NFC, e para que o Bluetooth possa ser adotado, o Banco Central precisaria atualizar suas diretrizes. Além disso, muitas das inovações tecnológicas dependem do apoio do gestor de transporte público da cidade, que tem diversas demandas a atender no dia a dia.


