Desafios no Resgate de Animais Silvestres em Sorocaba
No interior de São Paulo, a convivência com a fauna silvestre é uma realidade. Animais como maritacas e saruês têm encontrado espaço nas áreas urbanas, mas essa proximidade traz desafios, como o aumento de resgates de espécies feridas. Em Sorocaba, a veterinária Paula Prata destaca que, quando moradores se deparam com animais em perigo, o apoio adequado está distante. O centro mais próximo para triagem, o Núcleo da Floresta, está situado em São Roque, a mais de 40 km de Sorocaba.
“É urgente a criação de um projeto para acolhimento de animais silvestres na região. As cidades se expandiram, e agora é comum ver esses animais em meio à população”, alerta Paula.
Moradores Tomam Iniciativa em Resgates
Um exemplo dessa realidade é a história de Thairine Cordeiro, auxiliar administrativa de 30 anos, que resgatou um filhote de maritaca. “Não consegui ajuda de nenhum órgão. Eu e minha irmã encontramos o pássaro no chão, preso em linhas. Ao ligar para o Corpo de Bombeiros e a Polícia Ambiental, nos disseram para deixá-lo lá”, relata. Assim, as irmãs decidiram agir e levaram o filhote para casa, onde retiraram as linhas e o alimentaram.
“Foi surpreendente notar o quanto ele era dócil. Depois de resgatá-lo, tentei devolver ao seu habitat, mas com tantos gatos por perto, fiquei preocupada e decidi mantê-lo protegido”, conta Thairine.
Os Riscos de Vínculos com Humanos
A veterinária Paula ressalta que, muitas vezes, os filhotes resgatados criam vínculos com humanos, o que pode comprometer sua reabilitação. “Animais como maritacas são adaptáveis, mas a interação constante com pessoas pode prejudicar sua capacidade de sobrevivência na natureza. Quando reintroduzidos, eles podem voltar a buscar contato humano, o que aumenta o risco de maus-tratos e doenças”, explica.
Primeiros Cuidados e Falta de Apoio
Em casos de resgates, os primeiros socorros são essenciais, mas a falta de estruturas dificulta o processo. Paula recomenda que em ferimentos graves, os moradores devem buscar atendimento veterinário, mas reconhece que nem todos têm condições de deslocar animais a centros distantes. “Quando alguém resgata um animal, a responsabilidade é imediata, e sem locais adequados, as opções são limitadas”, enfatiza.
Thairine e sua irmã, após os primeiros cuidados, entraram em contato com Paula para orientação sobre como proceder. Com o tempo, precisaram levar a maritaca ao veterinário e arcar com as despesas, o que se tornou um desafio financeiro.
A Urgência por Estruturas de Reabilitação
Segundo Paula, a atual realidade é alarmante. “Os moradores, em muitos casos, acabam arcando com os custos de clínicas particulares para tentar reabilitar animais. É uma situação complicada, pois, apesar do afeto que desenvolvem pelos animais, mantê-los legalmente é proibido”, comenta.
Outro relato é o de Thayane Muniz, de 26 anos, que também enfrentou situação semelhante ao resgatar um filhote de saruê. “Encontrei o animal caído, mas os órgãos não puderam ajudar. Tive que levá-lo a uma professora da faculdade”, diz. A falta de apoio público e a inexistência de centros de reabilitação se tornam um entrave para a proteção da fauna silvestre.
O Que Fazer em Caso de Resgate?
Paula Prata orienta que, ao encontrar um animal ferido, os interessados devem:
1. Avaliar a gravidade do ferimento.
2. Em caso de sangramento, limpar a ferida.
3. Se a situação for crítica, buscar atendimento veterinário imediatamente.
Ela destaca que nenhum reforço financeiro foi dado para o Núcleo da Floresta, o que impossibilitou sua operação adequada. “A falta de investimento público para a criação de centros de triagem e reabilitação afeta diretamente a vida desses animais”, conclui. A importância de se criar soluções para essa realidade é urgente, considerando a crescente interação entre humanos e a fauna silvestre nas áreas urbanas.


