Aumento nos Custos e o Impacto nas Compras de Materiais Escolares
Segundo um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre), os preços dos materiais escolares, que incluem itens de papelaria e livros, apresentaram um aumento médio de 2,35% em 2025. Embora esse percentual esteja abaixo da inflação geral, representa um crescimento significativo em comparação ao ano anterior, que foi de 1,25%. Embora os preços de itens de papelaria, como canetas e cadernos, tenham sofrido uma leve queda no último ano, os livros didáticos sofreram um aumento considerável de 5%, superando os 1,12% registrados em 2024.
Matheus Dias, economista do FGV Ibre, comentou sobre a situação: “A celulose, a principal matéria-prima dos livros, teve um aumento expressivo de cerca de 40% em 2024, refletindo diretamente nos preços ao longo de 2025. Os livros didáticos têm um mercado mais restrito e sua vida útil é curta, uma vez que são lançados anualmente e, raramente, podem ser reutilizados posteriormente”.
Oportunidades no E-commerce e Estratégias de Compra
Uma pesquisa realizada pelo Procon-RJ indicou um aumento médio de 17,8% nos preços em comparação a 2025, com variações significativas entre diferentes produtos e estabelecimentos. O estudo ainda revelou que, ao realizar pesquisas em várias lojas, os consumidores podem encontrar economias consideráveis. Por exemplo, pesquisa do Procon-SP apontou uma variação de até 276% no preço de um único item, dependendo do local de compra.
Visando minimizar os impactos financeiros, muitas famílias estão optando por dividir suas compras entre diversas lojas, buscando aproveitar as melhores ofertas. A volta às aulas, portanto, se torna um novo campo de batalha para o varejo, com a concorrência se intensificando de maneira semelhante a eventos de grande movimentação como a Black Friday e o Natal.
As lojas virtuais têm investido em promoções, parcelamentos facilitados e benefícios adicionais. A juíza Milena, por exemplo, decidiu comprar os livros escolares online, enquanto deixou a compra de itens como cadernos e canetas para as lojas físicas, permitindo que seus filhos escolhessem os produtos que mais gostavam. Ela comentou: “As compras online não ficaram mais caras, mas o aumento dos livros é o que mais pesa no orçamento”.
Iniciativas Inovadoras no E-commerce
A Amazon, ciente do impacto dos preços, implementou ações específicas. Um exemplo é o site minhalistadaescola.com.br, onde as escolas cadastram suas listas de livros por série, facilitando a compra para as famílias. Entre as instituições cadastradas estão colégios renomados como Santo Agostinho e Eleva. Ricardo Perez, líder da área de Livros da Amazon no Brasil, explicou que, por enquanto, apenas colégios que utilizam bibliografia de editoras tradicionais estão participando dessa iniciativa, mas há interesse em expandir para instituições de ensino com sistemas próprios.
A Amazon também lançou uma ferramenta de curadoria de produtos para 12 perfis de consumidores, incluindo estudantes e pais. Durante a temporada de volta às aulas, a empresa oferece descontos de até 60% em cerca de 20 mil itens, além de mecânicas extras, como descontos adicionais para compras em quantidade.
Concorrência entre E-commerce e Lojas Físicas
Enquanto o varejo digital avança com seus descontos e estratégias focadas em escolas, as grandes redes de lojas físicas estão ampliando seu mix de produtos. Para capturar a atenção dos alunos, as lojas introduzem produtos licenciados de franquias populares entre crianças e adolescentes, que ajudam a criar um apelo visual.
A Americanas, por exemplo, está integrando suas operações físicas com o e-commerce e também lançou uma parceria com o iFood, permitindo que os clientes comprem diretamente pelo aplicativo e recebam os produtos na porta de casa. Mariana Figueiredo, head comercial da Americanas, destacou que as vendas presenciais ainda são um foco importante, esperando um crescimento significativo durante este período.
As papelarias tradicionais estão investindo na diversidade de produtos, garantindo que todos os personagens e marcas em alta estejam disponíveis. A Caçula, por exemplo, ampliou seu leque de produtos licenciados, enquanto a livraria Leitura aposta em um mix variado de cadernos, prevendo um crescimento de 10% nas vendas de materiais escolares em relação ao ano anterior.
Planejamento Antecipado para Reduzir Gastos
Com o aumento dos custos no início do ano, muitos consumidores têm antecipado suas compras. A cirurgiã-dentista Thais Moura, mãe de dois filhos, revelou que planejou suas compras para aproveitar descontos, gastando em torno de R$ 5 mil nos materiais escolares. Ela comentou: “Consegui aproveitar a Black Friday e decidi me antecipar. Esse valor pesa muito no orçamento, especialmente sendo profissional liberal”.
Com a busca por preços mais acessíveis e estratégias de compra mais eficazes, a volta às aulas deste ano promete ser uma nova fase, tanto para consumidores quanto para o varejo, que deve se adaptar às novas exigências do mercado.


