Atrasos Salariais Afetam Atendimento em Jales
Funcionários contratados pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região de Jales (Consirj) diminuíram o ritmo de atendimentos em várias unidades de saúde a partir de segunda-feira (12), após denunciarem atrasos no pagamento de salários. Segundo os trabalhadores, a remuneração deveria ter sido efetuada no 5º dia útil do mês de janeiro, mas não ocorreu, gerando insatisfação e preocupação entre os profissionais.
De acordo com informações obtidas pela TV TEM, essa situação de atraso não é nova e ocorre desde setembro do ano passado. A Prefeitura de Jales, quando consultada sobre o problema, afirmou que não concorda com o modelo de rateio financeiro entre o município e o consórcio, o que resulta em repasses parciais, evitando a interrupção completa dos atendimentos.
Os profissionais de saúde atuam em diversas unidades, incluindo a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Centro de Atenção Psicossocial Regional (Caps) e um centro de diagnóstico, todos geridos pelo Consirj. Apesar da redução no ritmo de trabalho, os serviços continuam funcionando, embora os pacientes tenham notado um aumento no tempo de espera.
A enfermeira da UPA, Maria Eduarda de Oliveira Borges, comentou sobre as dificuldades enfrentadas devido à falta de pagamento. “Eu percorro cerca de 120 km por dia para ir e voltar do trabalho. Se não tenho recursos para o combustível, como vou trabalhar? E os juros do meu cartão, quem vai pagar? Desde setembro estamos lidando com atrasos. Em novembro, por exemplo, o salário foi pago em duas parcelas. E agora, em janeiro, a situação persiste. Temos medo de que o próximo mês seja igual. Será que teremos que recorrer às redes sociais para reivindicar o que nos é devido?” relatou Maria Eduarda.
Dívidas e Impactos na Região
O Consirj abrange 16 municípios da região, sendo que Jales é responsável por 66% do custeio total. Segundo o consórcio, a prefeitura deveria repassar mensalmente cerca de R$ 950 mil, valor que não vem sendo cumprido, levando a pagamentos parciais. Na última segunda-feira, apenas R$ 200 mil foram disponibilizados, resultando em uma dívida acumulada de aproximadamente R$ 3,37 milhões entre o município e o consórcio, referente a vários meses de atraso.
A reportagem revelou que a situação não se limita a Jales e afeta também municípios vizinhos que dependem dos serviços de saúde. No caso específico do Samu, a abrangência dos atendimentos inclui Santa Fé do Sul (SP). Andreia Luisa da Conceição, técnica de enfermagem do Samu, destacou: “Desde o dia 30 de novembro, os bombeiros que tinham função delegada deixaram de acompanhar o Samu. Isso fez com que nossos condutores socorristas, que são bem treinados, assumissem todas as viaturas e fizessem horas extras, trabalhando intensamente durante o fim de ano para garantir que a população continuasse recebendo atendimento. Seguimos firmes no trabalho, mas precisamos dos nossos salários para sobreviver. O Samu não para!”.
É evidente que a situação dos atendimentos em Jales e na região é alarmante e reflete problemas estruturais que podem impactar a qualidade do atendimento à saúde pública. As vozes dos profissionais de saúde trazem à tona as dificuldades enfrentadas no dia a dia e a urgência de soluções que garantam tanto o pagamento em dia quanto a manutenção dos serviços essenciais para a população.
Continuidade dos Serviços e Expectativas Futuras
Embora os serviços de saúde estejam, por enquanto, em funcionamento, há uma crescente preocupação quanto à continuidade desse cenário. Com os atrasos salariais se tornando uma constante, o medo entre os profissionais é palpável. As próximas semanas serão cruciais para que a administração pública tome as medidas necessárias a fim de evitar uma crise maior no setor de saúde, que já enfrenta desafios significativos. A expectativa é que a situação seja regularizada rapidamente, permitindo que os funcionários voltem a trabalhar com a tranquilidade que a população merece.


