A Importância do Crédito Consciente
Na última quinta-feira (5), especialistas em microcrédito se reuniram em uma audiência pública promovida pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara para discutir a relevância da educação financeira na prevenção do superendividamento. Eles destacaram que, para que o crédito se torne uma ferramenta eficaz de desenvolvimento, é fundamental que seja oferecido de forma consciente e qualificada.
Camila Costa, representante do BNDES, enfatizou a importância de se oferecer crédito para pequenos negócios de maneira orientada. Segundo ela, a instituição conta com parcerias que compreendem a realidade das comunidades, especialmente em um país que abriga cerca de 12 mil favelas, onde residem aproximadamente 16 milhões de pessoas. Nesse contexto, o acesso ao crédito depende de fundos que proporcionem garantias adequadas, já que a maioria dos empreendimentos é iniciada com recursos pessoais.
Educação Financeira: Um Aliado Necessário
O presidente da Agência de Fomento do Rio de Janeiro, Sérgio Gusman, reiterou que a educação financeira é um pré-requisito para a concessão de crédito. Em suas palavras: “Não adianta dar o crédito sem a educação financeira, porque a empresa está fadada a morrer. A mortalidade de empresas pequenas é muito alta”. Gusman ressaltou que essa realidade não se limita ao Rio de Janeiro, mas se estende por todo o país, devido à falta de preparo dos empreendedores para gerir suas finanças.
Recentemente, a agência fluminense registrou 3.700 operações de crédito em 2025, totalizando R$ 47 milhões, com uma taxa de juros de 3% ao ano. No entanto, Gusman alertou que a taxa de inadimplência já atingiu 30%. Essa situação se agravou ao longo dos últimos anos, especialmente devido à flexibilização das regras em decorrência da pandemia e das consequências de eventos climáticos extremos, como enchentes.
Potencial do Empreendedorismo nas Comunidades
O deputado Helio Lopes (PL-RJ), relator do estudo, expressou sua convicção de que o potencial para o empreendedorismo nas comunidades é significativamente alto. Ele observou que “pequenos negócios informais, microempreendedores individuais e iniciativas comunitárias constituem a base de geração de renda local, movimentando cadeias produtivas próprias e criando oportunidades, mesmo em um ambiente de restrição de crédito e formalização”.
O Impacto da Inovação Financeira
O professor da Fundação Getúlio Vargas, Lauro Gonzalez, complementou a discussão ao lembrar que o desenvolvimento dos bancos digitais e a popularização do Pix têm desempenhado um papel fundamental no fortalecimento dos pequenos negócios. Essas inovações financeiras têm facilitado o acesso ao mercado e proporcionado novas possibilidades para os empreendedores, especialmente aqueles que operam em comunidades mais vulneráveis.
Portanto, o debate sobre microcrédito não se limita apenas à concessão de crédito, mas envolve uma abordagem holística que prioriza a educação financeira e o suporte aos pequenos empreendedores como motor de desenvolvimento econômico e social. A integração dessas estratégias pode se revelar decisiva para a criação de um ambiente mais favorável ao crescimento de negócios sustentáveis e à inclusão financeira no Brasil.


