Crescimento das Vítimas de Deepfake no Interior de SP
No interior de São Paulo, nos últimos dois anos, mais de 30 mulheres se tornaram alvo de deepfakes, uma tecnologia de inteligência artificial que gera imagens falsas. Dentre as vítimas, destaca-se a prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD), que formalizou uma denúncia em setembro de 2024 após ter sua imagem manipulada para criar fotomontagens inapropriadas. O caso chamou atenção, especialmente porque as imagens circulavam pelo WhatsApp com a mensagem “Encaminhada com frequência”, indicando uma disseminação ampla nas redes sociais.
Conforme o boletim de ocorrência que o g1 teve acesso, a montagem foi analisada pela ferramenta “AI or Not?”, que confirmou a criação do conteúdo por inteligência artificial. Além da prefeita, outras mulheres também sofreram com esse tipo de ataque, e a maioria das situações foi identificada em uma escola estadual em Itararé (SP). Em setembro de 2024, dois adolescentes, um de 15 e outro de 16 anos, foram apontados como os responsáveis por criar imagens falsas de nudez de colegas.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os jovens utilizaram ferramentas de IA para realizar as montagens. O levantamento revelou que 36 adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, e outras quatro pessoas maiores de 18 anos, incluindo uma professora, foram vítimas desses crimes. Um ano depois, em agosto de 2025, pais de estudantes de uma escola particular em Itapetininga (SP) denunciaram à polícia a manipulação de imagens de nudez de um colega, que foi suspenso. Os envolvidos são alunos do ensino fundamental.
As consequências emocionais para as vítimas podem ser devastadoras, incluindo depressão, ansiedade, baixa autoestima e medo. Apesar de existir legislação que cobre esses crimes, muitos pais se sentem inseguros e buscam informações sobre como proteger seus filhos dessa forma de violência digital.
Como Identificar Deepfakes
O reconhecimento de deepfakes tornou-se crucial para evitar enganos, especialmente considerando que o conteúdo falso pode causar sérios danos. O coordenador de tecnologia da UniFacens, Eliney Sabino, ressalta que essa tecnologia utiliza IA para replicar imagens, vozes e gestos, inserindo-os em novas produções. De acordo com ele, embora essa técnica seja antiga no cinema e em videogames, seu uso fora de contextos artísticos para criar conteúdos enganadores é alarmante.
Eliney explica que o cérebro humano tende a confiar em imagens e vídeos, tornando-o suscetível a fraudes. “Um deepfake pode apresentar uma pessoa se movendo, falando e agindo de forma convincente, já que o software modifica a imagem e a voz em tempo real”, afirmou. Essa natureza enganosa é um lembrete de que, na era digital, ver não é mais sinônimo de crer.
Os advogados de direito digital, Rodrigo Holtz Guerreiro e Gabriel Guerrero de Souza, alertam sobre os impactos legais do uso de deepfakes. Rodrigo destaca que a manipulação de imagens sem consentimento é uma violação clara de direitos civis, podendo resultar em golpes e difamação. Ele aconselha que as vítimas guardem provas, como prints e links, e, se necessário, procurem auxílio de um advogado.
Passos para Denunciar Deepfakes
O primeiro passo para denunciar um deepfake é reunir evidências que sustentem o relato, em seguida, o conteúdo deve ser reportado na plataforma onde foi encontrado. Caso o problema persista, é recomendável buscar ajuda legal. As penalidades para quem cria e dissemina deepfakes podem variar, incluindo indenizações e sanções, especialmente em situações que envolvem desinformação e golpes.
Identificação e Ferramentas de Verificação
Algumas características podem ajudar na identificação de deepfakes, como movimentos faciais estranhos, falta de sincronia entre boca e fala, e deformações corporais. Além do olhar crítico, verificar a origem do conteúdo e desconfiar de vídeos que incitem medo ou urgência são práticas aconselháveis. Ferramentas como Google Imagens e Microsoft Video Authenticator também podem ser úteis na avaliação desse tipo de material.
Eliney Sabino destaca que, além da tecnologia, a educação digital é fundamental. “Desenvolver o senso crítico é essencial para evitar fraudes e desinformação”, ressalta. A conscientização sobre o uso de IA e suas implicações é vital para a proteção individual e coletiva.
O Impacto da Conscientização
Um vídeo viral de Paulo Aguiar, professor e criador de conteúdo, demonstrou os perigos e a realidade dos deepfakes, alcançando mais de 26 milhões de visualizações. Paulo enfatiza a importância de educar-se sobre a tecnologia, afirmando que, com conhecimento, as pessoas podem não apenas se proteger, mas também encontrar formas de aproveitar a inteligência artificial a seu favor. “Para lidar com a IA, é preciso informação e uma postura ativa de aprendizado”, conclui.


