Transformação de um Fracasso em Franchising de Sucesso
Iniciar uma franquia é frequentemente apresentado como uma rota simplificada para o empreendedorismo. No entanto, para Rafael Corte, essa jornada quase significou o fim de seus sonhos. Em 2013, ao adquirir uma master franquia de paletas mexicanas, ele se viu em uma situação difícil, perdendo tanto dinheiro quanto tempo, devido à falta de suporte e a um modelo de negócio insustentável.
Essa experiência negativa se tornou um aprendizado fundamental e influenciou suas futuras decisões, incluindo a mais recente: levar o JAH Açaí, uma rede de sorvetes e picolés, para o mercado europeu. Originária de Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, a marca já conta com aproximadamente 180 unidades no Brasil e inicia sua expansão internacional sob a liderança de Corte, Diego Santana e Caio Castro, conhecido ator, piloto e empresário.
A relevância dessa história é acentuada pela recente inauguração da primeira loja internacional do JAH em Düsseldorf, na Alemanha, seguida pela abertura de uma unidade em Portugal em dezembro. Essa expansão foi meticulosamente planejada, ao contrário do que quase quebrou Corte no passado.
“Conheço bem o que um franqueador não deve fazer”, afirma Rafael Corte, refletindo sobre suas lições aprendidas.
Estratégias de Crescimento e Resiliência
Segundo Corte, a visão para o futuro da rede não está em crescer a um ritmo acelerado, mas sim em desenvolver um modelo de negócios que traga resultados mais eficazes para os franqueados. “A meta é crescer menos do que o mercado anticipa, mas fazer isso de uma maneira mais eficiente”, destaca.
Formado em engenharia de produção pela UFSCar, Corte percorreu o caminho tradicional de um executivo de alto nível, acumulando experiências em empresas como Embraer, Shell e Raízen. No entanto, aos 26 anos, decidiu entrar no mundo empreendedor sem experiência prática. Investindo R$ 500 mil na compra de uma master franquia de paletas mexicanas, ele lançou uma fábrica em Minas Gerais que, infelizmente, não prosperou. A falta de suporte da franqueadora, um produto que não sustentava a rede e sua inexperiência foram fatores cruciais para o colapso do negócio.
“Empreender não é sempre uma decisão racional. Caso contrário, ninguém se arriscaria”, observa Corte. Com as finanças comprometidas e sem os apoios familiares, ele optou por não retornar a São Paulo. Em vez disso, adquiriu freezers, desenvolveu uma nova marca e passou a comercializar picolés diretamente nas casas, até encontrar duas lojas de açaí que mudariam seu futuro. As lojas pertenciam a Diego Santana, um eletricista que fundou o JAH em 2009 em busca de uma nova trajetória profissional.
“Embora não soubesse como atuar no franchising, tinha clareza sobre o que evitar”, comenta Corte sobre o início da sociedade com Santana em 2014, onde cada um assumiu papéis complementares na gestão e nas vendas.
O Futuro do JAH Açaí
Atualmente, o JAH opera com duas lojas próprias e cerca de 178 franqueadas, além de 20 novas unidades em processo de abertura, distribuídas entre suas duas fábricas em Sorocaba (SP) e Belo Horizonte (MG). Com aproximadamente 70 funcionários diretos e 800 colaboradores nas lojas, a empresa se destaca por não ter recebido aportes externos. “Preferimos manter o controle sobre nossas decisões”, assegura Corte.
O faturamento da empresa é estimado em R$ 160 milhões para 2025, com projeções de alcançar R$ 210 milhões em 2026, e o plano inclui abrir cerca de 50 novas unidades no Brasil no próximo ano. Em termos internacionais, a estratégia é adotar uma abordagem cautelosa e testada antes de implementar uma expansão em larga escala.
“Abrir uma unidade em outro país vai além do simples ato de vender. Existe uma nova cultura, legislações e hábitos a considerar”, explica Corte. A escolha da Alemanha como primeiro mercado internacional foi estratégica, dada sua diferença cultural significativa em relação ao Brasil. Portugal foi o último passo dessa expansão, sendo que contratos já foram firmados para o Chile e a Espanha.
O foco no produto é central na estratégia do JAH. A empresa utiliza entre 50% e 60% de polpa de açaí, um índice superior à média do setor, e não recorre a corantes ou aromatizantes artificiais. O desafio, segundo Corte, é comunicar essa qualidade em um sistema de autoatendimento. “Temos que demonstrar a qualidade do nosso produto sem que alguém o sirva”, comenta.
Apesar de evitar a pressão por aumentar o número de lojas, a empresa tem uma visão clara: “Não focamos em termos de quantidade, mas sim na qualidade das nossas lojas”. Além disso, há uma narrativa forte em torno do açaí como um ativo brasileiro. Em 2024, o Brasil foi responsável pela produção de aproximadamente 2 milhões de toneladas do fruto, com o Pará liderando com 93% dessa produção, conforme dados do IBGE.
As exportações de açaí do estado somam cerca de 61 mil toneladas anualmente, gerando uma receita próximo a 45 milhões de dólares. “O açaí é um recurso que ajuda a manter a floresta em pé”, conclui Corte.
“O mundo aguarda que uma empresa de açaí seja originária do Brasil.” O JAH Açaí está determinado a ser essa empresa.


