Um novo marco para o diesel renovável no Brasil
A JetBio, empresa americana controlada pelo grupo Summit Agriculture Group, decidiu investir até US$ 2 bilhões na construção de uma biorrefinaria em Paulínia, interior de São Paulo, para produzir diesel renovável a partir de etanol. A iniciativa, que utiliza tecnologia licenciada da Honeywell UOP, representa uma mudança estratégica da companhia. No ano passado, a JetBio chegou até a pausar o desenvolvimento de sua primeira refinaria nos Estados Unidos para focar exclusivamente no projeto brasileiro.
O CEO da JetBio, William Moore, destaca a importância do empreendimento para a agricultura e o setor de etanol no país. “Tenho sido requisitado para estar no Brasil mais e mais para esse projeto, que é importante para o Brasil, sua agricultura e para o setor de etanol”, afirma Moore, que esteve recentemente em São Paulo para avançar nas negociações com bancos interessados em financiar a iniciativa. Ele reforça que os próximos seis meses serão decisivos para o sucesso do projeto.
Flexibilidade na produção para atender a demanda do mercado
Inicialmente, a biorrefinaria brasileira pretendia produzir apenas Combustível de Aviação Sustentável (SAF). No entanto, devido às incertezas do mercado em relação à demanda, a estratégia foi ajustada. Agora, a planta terá capacidade para converter até 1,8 bilhão de litros de etanol por ano em combustível de aviação e diesel renovável, com a produção definida conforme a necessidade do mercado.
Esse movimento deve transformar a refinaria na maior compradora individual de etanol do Brasil, superando traders e distribuidoras. A matéria-prima será originada pela FS, empresa brasileira com participação majoritária do grupo Summit (43%), além de contar com a participação da Amaggi (40%) e outros empresários do agronegócio (17%).
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A FS fornecerá etanol produzido por ela e também adquirirá da cadeia produtiva nacional, mantendo conversas com 22 fornecedores. Além disso, ficará responsável pela certificação de sustentabilidade do insumo, um requisito fundamental diante da crescente demanda por combustíveis limpos.
Inovação que amplia o mercado de combustíveis renováveis
Com essa flexibilidade para migrar a produção entre combustível de aviação e diesel renovável, a refinaria será a primeira do mundo a operar dessa forma, segundo Moore. Ele destaca que essa inovação cria uma demanda maior por etanol e oferece um produto diferenciado para o mercado de diesel, que é cinco vezes maior que o de combustível de aviação.
O diesel renovável produzido terá molécula semelhante ao diesel fóssil e ao óleo vegetal hidrotratado, conhecido como diesel verde, mas diferente do biodiesel. “Ao contrário do biodiesel, ele pode ser usado em qualquer motor industrial movido a diesel, sem necessidade de mistura”, explica o CEO. A redução de emissões de carbono prometida varia entre 65% e 95% em comparação ao diesel comum.
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Impacto econômico e ambiental em setores estratégicos
A produção do diesel renovável será destinada tanto ao mercado interno quanto a exportações, negociadas diretamente com consumidores e tradings. Os setores marítimo, de mineração, indústria pesada, agricultura e transporte rodoviário pesado são os principais consumidores-alvo, justamente porque enfrentam desafios para eletrificar suas fontes de energia e dependem fortemente do diesel.
O aporte de US$ 2 bilhões será financiado com recursos próprios e dívidas, com metade do capital vindo de participação acionária e a outra metade de empréstimos. Desde maio, a JetBio mantém conversas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que deve atuar como um dos principais financiadores, com acordo previsto para ser fechado até o final do ano. Além disso, bancos brasileiros e dívidas emitidas nos Estados Unidos podem aportar cerca de US$ 500 milhões.
Moore acredita que a estrutura financeira pode ser definida até março, com a construção da biorrefinaria levando de 30 a 36 meses. Ele ressalta a complexidade do empreendimento: “Estamos construindo a biorrefinaria mais complexa do mundo”. A expectativa é que a produção comece no segundo trimestre de 2030, trazendo um novo ciclo para o mercado brasileiro de combustíveis renováveis.


