Entendendo a Gestão da Água em São Paulo
A gestão dos recursos hídricos que abastecem a população de São Paulo passou a contar com um novo modelo integrado de monitoramento. Desde outubro, o Governo do Estado implementou o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que avalia os níveis de água dos sete sistemas responsáveis pela produção hídrica na Região Metropolitana. Com esse sistema, é possível tomar decisões estratégicas, como a redução da pressão da água durante a noite em períodos de baixa capacidade dos reservatórios.
As restrições estabelecidas pelo SIM são ativadas apenas após sete dias consecutivos em que os índices se mantêm na mesma faixa. Por outro lado, o relaxamento das medidas ocorre após 14 dias seguidos de uma melhora na situação. Essa estratégia traz mais previsibilidade para a gestão dos recursos hídricos.
No último dia 14, o SIM reportou uma capacidade de 27,2%, enquadrando-se na Faixa 3 operacional, que estabelece uma Gestão de Demanda Noturna (GDN) de 10 horas por dia, além da intensificação de campanhas educativas sobre o uso consciente da água.
Com essas ações, até 4 de janeiro, foram economizados mais de 70 bilhões de litros de água, volume que poderia suprir o consumo mensal de mais de 12 milhões de pessoas, número que supera a população da cidade de São Paulo. É essencial ressaltar que a superação de períodos de estiagem não depende apenas das ações técnicas, mas também da colaboração da população. O Governo paulista tem enfatizado a importância de um uso responsável da água, especialmente em um cenário com chuvas em menor volume e temperaturas elevadas. A participação cidadã é crucial para preservar os mananciais e assegurar a segurança hídrica para todos.
Como os Níveis dos Reservatórios Influenciam o Abastecimento?
Para esclarecer como os níveis dos reservatórios impactam o abastecimento de água em São Paulo, apresentamos algumas perguntas e respostas:
1 – As medidas de restrição na água são diárias?
Não. As restrições não são automáticas nem diárias, e não se baseiam em um único manancial. Para garantir previsibilidade, as restrições ocorrem apenas após sete dias consecutivos em uma determinada faixa operacional. O relaxamento das medidas acontece somente após 14 dias consecutivos de retorno ao cenário mais favorável.
2 – Como são definidas as medidas diante da queda no volume de um reservatório?
As medidas são determinadas através da classificação por faixas do Sistema Integrado Metropolitano, que categoriza as ações conforme os volumes armazenados. Esse método permite ajustes graduais e evita decisões abruptas, assegurando maior segurança no abastecimento antes que a situação se torne crítica.
3 – Qual a importância do monitoramento integrado em São Paulo?
O monitoramento integrado é fundamental para uma operação mais eficiente em tempos de escassez hídrica. O SIM conecta sete reservatórios, incluindo o Sistema Cantareira, permitindo decisões baseadas no desempenho do conjunto, e não apenas em sistemas isolados. Essa integração, desenvolvida após a crise hídrica de 2014/2015, possibilita transferências de água entre os sistemas, contribuindo para uma gestão mais resiliente.
4 – Qual o papel da ANA e da SP Águas no monitoramento do Cantareira?
O Sistema Cantareira possui regras operacionais específicas, definidas pela Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925, de 2017. Devido à sua importância — abastecendo cerca de metade da população da Região Metropolitana —, esse sistema recebe monitoramento especial da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em parceria com a SP Águas. As avaliações das faixas são mensais e baseadas em dados de armazenamento e condições hidrológicas.
5 – Onde encontrar informações sobre os níveis dos reservatórios?
Os dados sobre os níveis dos reservatórios são públicos e atualizados diariamente. A SP Águas realiza monitoramento constante, acompanhando em tempo real os volumes armazenados, afluências e vazões captadas. Essas informações são acessíveis ao público.
6 – Como funcionam as faixas de ação do Governo Paulista?
As faixas de ação são categorizadas da seguinte forma:
Faixa 1: Foco na prevenção, consumo consciente e início do Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA).
Faixa 2: Níveis estáveis, mas em queda; implementação da Gestão de Demanda Noturna (GDN) de 8 horas e combate a perdas.
Faixa 3: Cenário de atenção; GDN ampliada para 10 horas e intensificação de campanhas educativas.
Faixa 4: Reservatórios abaixo da curva de segurança; redução de pressão por 12 horas e monitoramento contínuo.
Faixa 5: Níveis críticos; redução de pressão por 14 horas e priorização do abastecimento a serviços essenciais.
Faixa 6: Alta criticidade; redução de pressão por 16 horas e controle máximo do sistema.
Faixa 7: Cenário extremo; rodízio regional de abastecimento e apoio com caminhões-pipa para serviços essenciais.


